domingo, 30 de março de 2014

Plano Nacional de Educação: Câmara promoverá videochat com relator do PNE

A Câmara dos Deputados realizará na terça (1/4/2014), às 11h, videochat com o relator do Plano Nacional de Educação (PNE) – PL 8035/10 –, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR). O plano, que já havia sido aprovado pelos deputados em 2012, sofreu alterações no Senado e, por essa razão, voltou para análise da Câmara.

Entenda as metas do PNE aprovadas por deputados e senadores. 
O videochat será transmitido ao vivo pelo portal Câmara Notícias e pela TV Câmara e terá duração de uma hora. Qualquer pessoa poderá participar pelo Disque Câmara 0800 619 619.

No último dia 20, Vanhoni apresentou novo parecer à comissão especial da Câmara que analisa o PNE. O texto precisa ser votado na comissão especial e, em seguida, pelo Plenário.

O PNE estabelece diretrizes, metas e estratégias para o ensino no Brasil nos próximos dez anos. O texto trata de temas como o percentual mínimo de investimento no setor, o salário de professores, as escolas em tempo integral e a matrícula de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino.

Vanhoni, que também foi relator do texto na Câmara em 2010, defende em seu novo parecer a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) exclusivamente para a Educação pública, mantendo a redação aprovada pelos deputados em 2012. Os senadores mantiveram o mesmo percentual de investimento, mas abriram a possibilidade de universidades particulares receberem recursos por meio do Fies e do ProUni. Vanhoni discorda dessa alteração.

Críticas
De acordo com a Coordenação de Participação Popular da Câmara, o novo PNE alcançou em março o primeiro lugar em atendimentos no Disque-Câmara, com 877 ligações, sendo 860 para manifestar críticas ao texto. Desde o início de 2014, o projeto está em segundo lugar em volume de atendimentos pelos canais interativos da Câmara, perdendo apenas para o projeto do Marco Civil da Internet (PL 2126/11).

Somente na semana de 17 a 23 de março, foram 804 comentários contrários ao PNE e 5 a favor. Um dos pontos mais polêmicos do texto é a diretriz que trata da superação de desigualdades educacionais. O texto aprovado na Câmara fala em “ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”, o que motivou críticas ao texto.

“Não sou de acordo em colocar as palavras: gênero, igualdade de gênero e orientação sexual. Solicito a retirada dessas palavras do Plano Nacional de Educação”, disse Tatiane Dias Figueiredo, de Santa Terezinha (BA).

Também contrária ao texto, Maria Ercilia Mais, de Praia Grande (SP), afirmou, por meio do Disque-Câmara, que o projeto contraria seus princípios religiosos. “Sou a favor de uma Educação sexual nas escolas e contrária à liberdade sexual”, disse.

Apesar de o Senado ter modificado o texto para tornar genérica a referência às formas de discriminação, Vanhoni se posicionou favorável ao texto da Câmara nesse ponto.

Deficientes
O relator acatou a emenda do Senado que garante a oferta de Educação inclusiva aos estudantes com deficiência e proíbe a exclusão deles do ensino regular sob a alegação de deficiência pedagógica.

Vanhoni também manteve a meta de universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos alunos com deficiência ou superdotados, preferencialmente na rede regular, assegurando a disponibilidade de salas com recursos multifuncionais.

Em relação à alfabetização, o relator manteve o texto da Câmara, que prevê a meta de, em dez anos da vigência do plano, alfabetizar todas as crianças até o final do 3º ano do ensino fundamental.

Clique aqui para ver a íntegra da proposta.



sexta-feira, 28 de março de 2014

Meio ambiente: ciclo de vida de produtos e eficácia das matérias-primas serão debatidos em Simpósio na quarta, em São Bernardo do Campo

Avaliação de Ciclo de Vida de Produtos é o tema principal do primeiro simpósio da Faculdade Senai de Tecnologia Ambiental, de São Bernardo do Campo, em São Paulo, na próxima quarta (4/4/2014), das 8h às 18 horas, no teatro do Senai Mario Amato.

Clique aqui para saber mais e fazer sua inscrição, que é gratuita

A avaliação de ciclo de vida (ACV) oferece visão mais ampla sobre os procedimentos industriais, indica os caminhos mais sustentáveis e facilita a tomada de decisões por parte das empresas. Com ela é possível verificar os impactos positivos e negativos de um produto no meio ambiente, desde a criação até o descarte.

Outro tema que será abordado durante o simpósio é a aplicação de estratégias que possam aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, seja por meio da não geração e pela minimização ou reciclagem de resíduos, que é o conceito conhecido como P+L (Produção Mais Limpa). Além desse assunto, também será debatida a prática de greenwashing, termo empregado para designar a venda de uma imagem corporativa sustentável que não corresponde à verdade.

O primeiro palestrante será o Dr. Biagio Fernando Giannetti, que falará sobre Ecologia industrial: as interações entre ACV e a P+L em prol da sustentabilidade. Depois, o especialista Roberto de Melo Araújo, abordará ACV como Ferramenta da Indústria.

À tarde, mais duas palestras completam o evento: Marketing Ambiental ou Greenwashing? Como a ACV contribui para resolver esta questão, a cargo da Mestre Gleice Donini de Souza, e Indicadores de sustentabilidade usando ACV, com o Mestre Laércio Romeiro.

As quatro apresentações são gratuitas e destinadas a profissionais da indústria, serviços, pesquisa e desenvolvimento, além de estudantes das áreas ambiental, materiais, gestão, logística, design, administração, engenharia e tecnologia.




sábado, 22 de março de 2014

Emprego e renda: brasileiros acreditam que qualificação profissional e técnica abrem portas para o trabalho

Os brasileiros acreditam que a Educação profissional oferece boas oportunidades para quem quer ingressar no mercado de trabalho. Recente pesquisa encomendada pelo Sistema Indústria ao Ibope mostra que, na avaliação da população, os cursos técnicos e profissionalizantes são um caminho rápido para conseguir emprego e ter bom salário.

De acordo com o levantamento, divulgado em fevereiro passado, 90% dos entrevistados concordam que quem faz ensino técnico tem mais oportunidades no mercado de trabalho do que quem não faz nenhum curso. Sobre salários, a percepção também é positiva: 82% concordam que os profissionais com certificado de qualificação profissional têm salários maiores do que os que não têm.


A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em 143 municípios. Os resultados darão subsídios para definir a oferta de vagas pelo Senai. Maior rede de formação tecnológica para a indústria, a instituição já qualificou 61 milhões de trabalhadores desde sua criação em 1942.

“Os resultados ajudam a desconstruir a ideia de que o Brasil não valoriza as profissões técnicas”, avalia o diretor-geral do Senai Nacional, Rafael Lucchesi. Ele destaca que 74% dos entrevistados reconhecem que os alunos de cursos profissionalizantes são bem ou razoavelmente bem preparados para o mercado de trabalho. A percepção da população sobre os impactos da educação profissional se assemelha aos estudos sobre a empregabilidade de profissionais formados pelo Senai: mais de 70% dos ex-alunos de cursos técnicos de nível médio, por exemplo, conseguem emprego no primeiro ano depois do curso.

Mesmo assim, ainda é baixo o número de pessoas que busca a Educação profissional. Conforme a pesquisa, apenas um em cada quatro brasileiros já frequentou ou frequenta algum curso de Educação profissional. As principais razões para que 75% da população nunca tenham feito cursos de formação profissional é falta de tempo para estudar (40%), falta de recursos para pagar (26%), falta de interesse (22%).

Entre os que optaram pela formação profissional, 61% trabalham ou já trabalharam na área do curso, o que indica que os conhecimentos adquiridos têm aplicabilidade no mercado de trabalho. Quando questionados sobre as razões para optar pela Educação profissional, 53% dizem que ela permite ingresso mais rápido no mercado de trabalho; 47%, que têm o desejo de se qualificar em uma profissão específica; e 28%, que ela amplia as oportunidades de acesso ao mercado de trabalho.

São as instituições do sistema S (como o Senai, Senac, Senar e Sebrae) as principais ofertantes da formação profissional técnica no Brasil. De acordo com o estudo, 43% das pessoas que fazem ou já fizeram cursos profissionalizantes estudaram em uma dessas entidades. A rede privada vem em segundo lugar com 37% das respostas, seguida da rede pública com 20%.

Alerta para escolha
“O desafio do país agora é montar uma rede de informações sobre oportunidades de cursos e oferta de empregos, e assim auxiliar a população na hora de fazer suas escolhas para entrar no mercado de trabalho”, diz Lucchesi. Ele faz esse alerta porque ainda são poucos os brasileiros que optam pela Educação profissional. “Mudar esse quadro é responsabilidade de toda a sociedade, incluindo os governos, as instituições educacionais, as famílias. O Brasil registra um percentual muito baixo de pessoas na Educação profissional”, avalia Lucchesi. Ele se refere aos dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mostram que, na média dos países mais ricos, o índice de pessoas que passam pela Educação profissional é de 46%, quase o dobro do registrado na pesquisa em relação ao Brasil.

Educação entre os jovens
A pesquisa realizada pelo Ibope apontou que 44% dos brasileiros entre 16 e 24 anos estudam atualmente. Trata-se da parcela da população com maior acesso à Educação no momento. Levando em conta todos os recortes de idade, apenas 16% da população estão estudando.

Entre os jovens de 16 a 24, a maioria está no ensino superior (18%), seguido do ensino médio (15%) e do ensino fundamental (5%). O ensino profissional é opção de apenas 3% deles, mesmo percentual dos que fazem ensino médio vinculado ao técnico.

Na comparação com os países mais ricos, o Brasil também está numa situação ruim quando se trata de opção pelo ensino técnico. Nas 34 nações mais desenvolvidas, a média dos jovens fazendo educação profissional é 35%, segundo a OCDE. No Brasil, a pesquisa do Ibope revelou que fica em 6%, se somarmos os que cursam o ensino médio integrado ao técnico e apenas o ensino profissional.

“Apesar de mais de 80% dos jovens brasileiros estarem fora do ensino superior, continuamos agindo como se o destino de todos eles fosse a universidade”, critica Lucchesi. Ele defende mudança na matriz educacional do país de modo a fortalecer o ensino técnico. “Um jovem que sai do ensino médio regular hoje não teve sequer uma hora de aula que o preparasse para o mundo do trabalho. O Brasil só perde com essa realidade. Por um lado, os jovens demoram mais tempo para se firmar no mercado de trabalho; por outro, o setor produtivo sofre com a escassez de trabalhadores qualificados”, diz.

A maioria dos entrevistados defende que se adotem medidas para a valorização do ensino profissional. Noventa e três por cento concordam - totalmente ou em parte - que o governo precisa oferecer mais cursos de ensino médio que também ensinem uma profissão. Outros 86% concordam (totalmente ou em parte) que o ensino profissionalizante deveria ser obrigatório no ensino médio.

Fonte Portal Indústria



Certificação profissional: Senai-MG abre inscrição para programa de reconhecimento de competências

Clique aqui ou ligue (31) 3226-4696 para saber mais
Se você tem alguma habilidade profissional já bem desenvolvida, mas ainda não possui um certificado reconhecido pelo mercado de trabalho, pode se inscrever até 31 de março no programa que o Senai de Minas Gerais oferece para a Certificação Profissional de Competências.

O programa comprova as habilidades do trabalhador, independente da maneira como foram adquiridas, reconhecendo e atestando formalmente sua capacidade técnica. A verificação é feita por meio de provas escritas e práticas na área que o candidato tenha interesse em obter a certificação. Os aprovados saem com diploma de nível técnico.

Para participar, é preciso ter ensino médio completo e experiência profissional mínima de dois anos na habilitação a ser certificada.

Estão sendo oferecidas certificações nas seguintes áreas:
  • administração,
  • agrimensura,
  • alimentos,
  • automação industrial,
  • biotecnologia,
  • calçados,
  • comunicação visual,
  • design de móveis,
  • edificações,
  • eletroeletrônica,
  • eletromecânica,
  • eletrônica,
  • eletrotécnica,
  • informática,
  • logística,
  • manutenção automotiva,
  • mecânica,
  • mecatrônica,
  • meio ambiente,
  • metalurgia,
  • mineração,
  • móveis,
  • panificação,
  • química,
  • segurança do trabalho,
  • vestuário.

Fonte Sistema Fiemg


Qualidade na Educação: Regional do Mato Grosso é o melhor da rede Senai pela terceira vez consecutiva

O Senai-MT foi eleito pela terceira vez consecutiva como o melhor do Brasil na Regra Nacional de Desempenho. A instituição foi a única a cumprir todos os critérios estabelecidos pela regra. A avaliação, que envolve todos os Senai do país, mensura a atuação das instituições em cada estado. O resultado foi divulgado na tarde deste sexta (21/3/2014), em Maceió. 

“Somos os melhores do país e isso nos enche de orgulho e demonstra a qualidade da instituição, que está formando os profissionais que vão fazer a diferença na indústria e no desenvolvimento socioeconômico do Mato Grosso”, comemorou o presidente do Sistema Fiemt, Jandir Milan. “Esse título é muito mais que um reconhecimento, ele reafirma a responsabilidade e o compromisso que temos com a sociedade”, assegurou.

Para a diretora regional do Senai-MT, Lélia Brun, o resultado é fruto do trabalho de toda a equipe. “Essa é a confirmação do grande trabalho realizado por cada um dos nossos funcionários. Toda a ação gera uma reação e se mais uma vez o Senai alcançou a vitória é porque existe mérito. Hoje, 96% dos trabalhadores da instituição dizem estar satisfeitos em fazer parte do Senai-MT.”

Clique aqui para conhecer as oito unidades operacionais do Senai-MT (foto Divulgação)

Para chegar ao resultado das melhores performances entre os Senais do Brasil, o Departamento Nacional avaliou e comparou os dados de seis indicadores estratégicos sobre demanda, uso dos recursos, sustentabilidade, e eficiência operacional.

Mato Grosso superou as metas propostas em cinco categorias distintas: Variação de Matrículas Total; Taxa de Ocupação de Egressos no Mercado de Trabalho; Percentual de Gratuidade Regimental; Sustentabilidade Operacional em Educação Profissional e Sustentabilidade Operacional em Tecnologia e Inovação.

Entre os números mais expressivos estão as 142 mil matrículas realizadas no estado em 2013. O montante é 23% superior à meta determinada pelo Senai Nacional.

Fonte Sistema Fiemt


sexta-feira, 21 de março de 2014

Energia renovável: Ceará vai formar profissionais para a área

O Centro do Senai da Barra do Ceará, em Fortaleza, está implantando o Instituto de Tecnologia de Energias Renováveis, cujo objetivo é formar profissionais para atuar na área.

Artur Guimarães, gerente do IT-ER, explica que a iniciativa tem suporte e recebe tecnologia da instituição alemão GIZ – Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit. O local, ainda em estruturação, terá laboratórios com aerogeradores em tamanho original; de compósitos, para utilização de materiais que produzem pás para torres eólicas, como fibra de vidro e resinas; e oficina.

Segundo Guimarães, existe demanda por 12 mil profissionais na área de ER. As previsões são que, a partir de agosto próximo, a unidade ofereça, pelo menos, dois módulos de formação profissional, e que esteja operando com a sua capacidade plena em 2015. O gerente conta ainda que, na fase de construção, uma usina eólica necessite de 2 mil a 4 mil profissionais. Quando em operação, esse número se reduz para cerca de 70 pessoas.

No Ceará, existem cerca de 20 empresas na área de energias renováveis e 23 parques eólicos em operação.




terça-feira, 18 de março de 2014

Competição educacional: Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas encerra inscrições nesta sexta

Estudantes de escolas públicas federais, estaduais e municipais têm até sexta (21/3/2014) para se inscrever na 10ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Podem participar da competição alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio.

Clique aqui para saber tudo sobre e fazer inscrição

A prova da primeira fase será feita na própria escola, no dia 27 de maio, e terá 20 questões de múltipla escolha. Em cada escola, 5% dos alunos com melhor desempenho classificam-se para a segunda fase, na qual devem ser expostos os cálculos e o raciocínio usados em seis questões dissertativas.

Este ano, 6.500 estudantes vão receber medalhas e 46.200, menção honrosa. Os ganhadores de medalhas serão convidados a participar de programas de iniciação científica, mestrado em matemática e também de programas de treinamento para participação em competições internacionais. Professores, escolas e secretarias de Educação de municípios que se destacam também são premiados.

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada, com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática e dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. A primeira edição da competição foi em 2005 e teve participação de 10,5 milhões de alunos de 31 mil escolas. No ano passado, foram 19 milhões de estudantes, de 47 mil escolas de 99,3% dos municípios brasileiros. O objetivo da olimpíada é estimular o estudo da matemática e descobrir talentos na área.




sexta-feira, 14 de março de 2014

Juventude e violência: um discurso a ser reconstruído

Preconceitos e estereótipos predominam quando o debate é a violência contra jovens

Afastar a influência da emoção é o caminho mais razoável para discutir o tema

Artigo de Leonardo Sá* para a revista Carta na Escola

A questão da violência contra jovens é uma das mais delicadas e dolorosas fraturas da vida social no Brasil, e é sobre ela que precisamos aprender novas formas de problematização para suscitar debates à altura dos desafios. É preciso lembrar que práticas de violência não ocorrem no vazio social, mas estão conectadas a um contexto sociológico mais amplo. As diversas formas da violência estão ligadas a variados conflitos sociais e ao campo das desigualdades que as tornam mais agudas.

Se os indivíduos adultos da sociedade contemporânea sentem-se frágeis, vulneráveis e, por vezes, descartáveis nas dinâmicas da vida competitiva e da nova economia, o que dizer dos segmentos jovens, que ainda buscam construir seus repertórios e recursos para lidar com os problemas da vivência coletiva?

Quando falamos de jovens, devemos considerar a sua pluralidade – pois não há uma juventude, mas juventudes no plural. Por exemplo, as práticas de consumo dos jovens se dão em razão da adoção de estilos de vida que possam alimentar de sentido a existência e o viver. Dizer que os jovens buscam uma vida que possa ser considerada significativa é uma afirmação que merece duas observações complementares. Primeiro, o sentido da busca é impresso pela perspectiva dos próprios jovens.

Não adianta adotar posturas adultocêntricas que pretendem impor autoritariamente para os jovens o modelo de conduta a ser adotado. Segundo, não há um único modelo nem há um formato supostamente superior que sirva como modelo para todos os outros. As juventudes são plurais em suas buscas e, por conseguinte, os modelos de referência também o são. Os jovens se realizam pela aquisição de capacidades agentivas de sujeitos (percepção, imaginação, desejo, competência, habilidade) por meio de diversos estilos de vida. E o que isso tudo tem a ver com o entendimento da violência contra jovens?

O primeiro ponto é esse alargamento que é preciso fazer nos debates. Não há relação de causa e efeito linear entre pobreza e violência. As violências estão mais próximas do fenômeno da desigualdade do que da pobreza. Afinal, pode haver diminuição da pobreza, num sentido estritamente econômico, e aumento das desigualdades pela distribuição das oportunidades de poder, cultura, arte e lazer. A renda, por si só, não é capaz de definir mudanças de estilo de vida, o que não quer dizer que alterações nas rendas das famílias não pressionem mudanças na estratificação da vida social.

Segundo ponto, as violências cometidas contra os jovens são lidas socialmente por uma tendência de criminalização da juventude. Os jovens são percebidos por certos discursos que alimentam tais percepções como “infratores”, “criminosos”, e essas criminalizações muitas vezes não correspondem à realidade dos fatos.

Terceiro, a sujeição de jovens às formas de violência (doméstica, sexual, letal etc.) precisa ser discutida a partir da relação entre vitimização e protagonismo de violência. Poderíamos aventar a seguinte hipótese para animar o debate: não há protagonista de violência que não tenha sido vítima de violência, afinal, esta é aprendida no contexto das interações sociais violentas, o que não quer dizer que toda vítima de violência necessariamente se tornará um agressor.

Quarto ponto, a própria palavra violência é polissêmica. Ela guarda tantos sentidos quanto múltiplas são as experiências de quem a usa. Em vez de definir previamente o que seja a violência, tanto nas pesquisas quanto nos processos pedagógicos, parece ser mais instigante estimular as expressões simbólicas da violência nas perspectivas de diversos atores sociais, de modo que os interlocutores, os educandos, possam perceber entre si a diversidade de contextos socioculturais que os afetam. Desse modo, esses se tornariam intérpretes do fenômeno por meio do diálogo interpares com a mediação dos educadores.

Existe uma tendência generalizada em se enxergar a violência como sendo algo realizado pelos outros. São diversas as resistências por parte de um sujeito em se assumir como agressor, perpetrador, protagonista e ator de violência. Descarregar a culpa da violência nos outros, principalmente, quando esses outros são tão socialmente vulneráveis, é uma ação de violência simbólica que alimenta o circuito das violências.

Um quinto ponto poderia ser resumido pela ideia do uso da violência como recurso de estilização de atitudes. Essa estética (produto não exclusivo dos jovens, mas de indústrias culturais, campo da publicidade e outras mediações) tem feito uma celebração de um ideal de “eu” que, no fundo, é a celebração do ideal de adulto a ser socialmente premiado: aquele que obtém sucesso, dinheiro e poder para a ostentação de seus feitos, mesmo que de modo ilegal. Há fantasias de onipotência nessas fórmulas massivamente difundidas que podem instigar as fantasias dos impotentes e dos frustrados, o que ocorre com frequência, trazendo consequências para outras formas de legitimação da participação na vida social.

Nas discussões sobre o tema da violência contra os jovens, o risco maior é o lugar que ocupam as emoções na caracterização do problema. Preconceitos, estereótipos, clichês, julgamentos morais, raivas, verdadeiras descargas emocionais ocorrem quando o tema da violência é proposto.

O próprio educador, como mediador das discussões, precisa exercer uma autorreflexão no processo para não imprimir aos debates as marcas pessoais de suas frustrações e prejulgamentos. Não há nada mais fácil do que escorregar para o campo apaixonado das lutas de opinião, o que faz do objeto da violência um dos mais difíceis de ser apreendidos de modo crítico e racional. Desconstruir os discursos sobre a violência, problematizando-os, parece ser o caminho mais razoável para enfrentar esse tema repleto de animosidades.

* Leonardo Sá é professor da Universidade Federal do Ceará e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência - LEV/INCT/Pronex


quinta-feira, 13 de março de 2014

Professor: blog lista oportunidades de capacitação profissional para educadores

Confira aqui a lista
Com o propósito de auxiliar os professores e demais profissionais da área da Educação que buscam oportunidades de formação e de aperfeiçoamento de suas carreiras, o Blog Educação pesquisou e listou cursos nas modalidades presencial e à distância, gratuitos e pago, destinados a educadores.




quarta-feira, 12 de março de 2014

Moda e design: Cetiqt inscreve para cursos de pós-graduação


São três especializações presenciais e uma a distância, que recebem inscrições até 14 de março

O Senai Cetiqt está aceitando inscrições para três cursos de especializações: Design de Estampas, Design de Moda, Pesquisa de Comportamento e Consumo e Design de Moda a distância,

O concorrido mercado da moda exige profissionais altamente capacitados. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o país está entre os 10 maiores mercados mundiais de fios, fibras, tecelagens e confecções. Por isso, as oportunidades crescem em ritmo acelerado. O Cetiqt – centro de tecnologia instalado em dois campos no Rio de Janeiro: Riachuelo e Barra da Tijuca - ministra quatro cursos de pós-graduação Latu Sensu para quem quer amplia sua participação no mercado.

São especializações abertas a profissionais de moda, design, belas artes e afins: Design de Estampas; Design de Moda; Pesquisa de Comportamento e Consumo e Design de Moda, este ministrado a distância. As aulas começarão em abril, e vão até junho de 2015, exceto o curso voltado para a pesquisa, no campus Barra, que vai até agosto de 2015.

O curso a distância conta com encontros nos Polos de Apoio Presencial: Belo Horizonte, Campina Grande/PB, Rio de Janeiro, Salvador e Vila Velha/ES. O conteúdo é oferecido com recursos educacionais diversos, como material didático impresso, animações, vídeos, simuladores e jogos, disponibilizados no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). A instituição adota a plataforma Moodle — ambiente online utilizado por milhares de usuários e instituições educacionais do mundo inteiro.

Para saber mais acesse aqui, via atendimento@cetiqt.senai.br ou pelo 21 2582-1001

Fonte Portal Indústria

ProUni: inscrições para vagas remanescentes do programa já começaram

As inscrições para as vagas remanescentes do Programa Universidade para Todos (ProUni) já podem ser feitas na página do programa na internet. A estimativa do Ministério da Educação é que cerca de 50 mil bolsas ainda estejam disponíveis.

Clique aqui para saber mais sobre o programa

É a primeira vez que o processo de inscrição das vagas remanescentes será feito pelo site. Nos anos anteriores, as vagas eram ocupadas por meio de processo seletivo feito pelas próprias instituições.

Outra novidade no preenchimento de vagas remanescentes do ProUni é que agora estudantes já matriculados nos cursos, que cumpram os requisitos do programa mas não têm a bolsa, poderão pleitear o benefício.

Atualmente poderão se candidatar os que se inscreveram em turmas que não se formaram, além de professores da rede pública. A partir desta quarta (12/3/2014), as vagas remanescentes estarão disponíveis para todos os candidatos que participaram do Enem a partir de 2010 sem zerar a redação e que tenham obtido pelo menos 450 pontos na média das notas das provas.

Após a inscrição online, os candidatos terão dois dias úteis para comprovar as informações na instituição de ensino em que pretendem ingressar. Em seguida, a instituição deverá registrar a comprovação das informações no Sistema Informatizado do ProUni (SisproUni) até o dia útil seguinte ao final do prazo de comparecimento do candidato. Caso o estudante não compareça ou a instituição não registre o preenchimento da bolsa, a vaga volta a ser oferecida pelo sistema.

O ProUni oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de Rducação superior. Para o primeiro semestre de 2014, o programa ofereceu 131.636 bolsas integrais e 59.989 parciais. Mais de 1,2 milhão de candidatos se inscreveram este ano.

As bolsas integrais são para estudantes com renda bruta familiar, por pessoa, até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais destinam-se aos candidatos com renda bruta familiar até três salários mínimos por pessoa. O bolsista parcial poderá usar o Fies para custear o restante da mensalidade.



Sisutec: inscrições serão abertas na próxima segunda-feira

O Ministério da Educação acaba de divulgar que o prazo para inscrições no Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec) vai de 17 a 21 de março. Em 2013, primeiro ano do Sisutec, foram abertas 239.792 vagas em cursos técnicos para quem já havia concluído o ensino médio.


Por meio desse sistema que instituições públicas e particulares de Educação superior e de Educação profissional e tecnológica oferecem vagas gratuitas em cursos técnicos. Podem se inscrever pessoas que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Foram, ao todo, 117 cursos oferecidos em 586 estabelecimentos, dentre instituições de ensino superior; escolas técnicas privadas, institutos federais de Educação, ciência e tecnologia; escolas técnicas vinculadas a universidades federais; escolas estaduais e municipais e unidades do chamado Sistema S (Senai, Senac, Senat e outras).

O Sisutec é uma das vias de acesso ao Pronatec, que foi criado pelo governo federal em 2011 para ampliar a oferta de cursos de Educação profissional e tecnológica e oferece dois tipos de curso: o técnico, para quem está matriculado no ensino médio, com duração de um ano, e o curso de formação inicial e continuada ou qualificação profissional, com duração mínima de dois meses para quem concluiu.