sábado, 25 de maio de 2013

Redes de inteligência: diretor do Media Lab do MIT defende inovação de baixo custo

As empresas brasileiras devem incentivar seus engenheiros, projetistas e designers a buscar inovações livremente, sem ter de passar por comitês de gestão burocráticos, sem precisar de aprovação de diversos níveis de gerência, sem nem mesmo ter orçamento para os projetos. Desse modo, a inovação pode florescer no Brasil. 

A opinião é do diretor do Media Lab do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), Joichi Ito (foto), que participou do recente Challenge of Innovation 2013, conferência promovida, neste mês de maio de 2013, pela Fundação Certi e o Senai.

Os processos de inovação, destaca Ito, são muito baratos hoje em dia, uma vez que são fortemente baseados em redes de inteligência, ligados pela internet, usando softwares livres, de base colaborativa, assim como hardwares também livres. “O modelo de uma grande empresa contratada por um governo para procurar soluções caras a partir de pesquisas com parâmetros restritos quase não existe mais”, explica o diretor do MIT, assegurando que “o que vale hoje são as redes, com conteúdo e softwares abertos, que vão sendo escritos à medida que a necessidade assim determina”. Essa rede computacional leva a inovação de baixo custo.

Ito lembra que até há bem pouco tempo era preciso que homens de negócios, diplomados, com MBAs, estruturassem um plano de negócios, aprovassem com a diretoria das empresas para investir milhões e milhões de dólares, ou outra moeda qualquer, para que surgissem as inovações. “Agora um engenheiro, um designer ou projetista tem uma ideia, desenvolve um produto, vai atrás do financiamento e só aí, na terceira fase, é que começa a ser estruturado um plano de negócios”. A lógica, complementa, foi invertida pelo mercado.

Com essa profunda mudança de padrão, os riscos de inovar diminuíram drasticamente. “O gestor de uma empresa passa grande parte do tempo gerindo riscos. As grandes empresas passam a maior parte do tempo evitando os possíveis danos e perdas de processos de inovação e pouco tempo buscando os possíveis ganhos. Quando um venture capitalist (investidor de risco) investe numa startup, os investimentos são geralmente tão baixos que não há gestão de risco. Só se procuram os ganhos que aquela pesquisa pode gerar”, assegura Ito.

Ele lembrou que quando os processos inovativos são caros, quem tem o poder de decisão é o dono do dinheiro. “Mas quando a inovação se torna barata, o poder está todo nas mãos de quem tem as ideias. Então, a pesquisa é mais livre e mais bem direcionada”.

O pesquisador também recomenda que as empresas permitam que seus engenheiros e projetistas busquem as inovações dentro das fábricas, não de escritórios nas sedes longe dos operários e das máquinas. “Lá dentro, vendo como as coisas funcionam e perto da produção, os protótipos podem ser executados, testados e modificados em muito menos tempo. O processo todo fica mais ágil”.




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