terça-feira, 6 de novembro de 2012

Inovação colaborativa: “gênio isolado é um mito”, destaca especialista norte-americano

Para um dos nomes mais importantes da atualidade em teorias para a inovação, Steven Johnson, professor na New York University e autor do livro "De onde surgem as boas ideias", não é possível motivar inovações sem atividades coletivas. "O gênio isolado é um mito. As boas ideias surgem da interação entre grupos, entre pessoas de áreas diferentes e, às vezes, de ambientes onde mais misturadas estão estas pessoas. Há padrões históricos que comprovam que o coletivo trabalha com mais eficiência do que o individual.”

Somente em sua abertura, 5º Congresso Internacional reuniu mais de 2 mil pessoas (Foto Divulgação)

No sentido de adequar sistemáticas de incentivo à inovação, Johnson sugere que as empresas criem espaços de convivência capazes de aproximar o mais simples operador de máquina ao mais intelectual gestor administrativo, por exemplo. “Algumas empresas bem sucedidas por um tempo interrompem esse ciclo por medo. Elas têm um bom produto, e um modelo de negócios que funciona, então imaginam que não devem interferir nesse sucesso. Elas ignoram as mudanças no mundo exterior, acabam saindo de contexto e aí pode ser tarde demais", alertou.

Johnson apresentou suas propostas no 5º Congresso Internacional de Inovação, encerrado no final de outubro, em Porto Alegre. A realização foi do Sistema Fiergs, por meio do IEL-RS, Sesi-RS e Senai-RS e que reuniu em seu primeiro dia cerca de 2 mil pessoas. "Quando este Congresso chega à sua quinta edição, mantendo o expressivo número de participantes que vemos reunidos aqui, temos a certeza de que o Sistema Fiergs adotou o caminho correto nessa iniciativa de provocar a sociedade do Rio Grande do Sul a se reinventar sistematicamente", afirmou o presidente do Sistema, Heitor José Müller.

Ainda segundo Müller, a educação criativa é o fator essencial para que o fenômeno da inovação aconteça. "Torna-se imperativo criar uma rede de eficiência desde o ensino fundamental até o superior, passando pelos cursos de formação técnica”, destacou. “Hoje, da nossa população na faixa dos 18 aos 24 anos de idade, apenas 12% estão no ensino superior. Enquanto isso, na Argentina são 40%, no Chile 61%, e nos Estados Unidos, 90%.”

O evento, cujo tema foi Economia Criativa: Ideias e Ideais Gerando Riquezas, também teve como parceiro o Reino Unido, representado por seu embaixador no Brasil, Alan Charlton. Ele destacou a relevância de se abrir caminhos para a interatividade, a interdisciplinaridade e as relações internacionais como caminho para aprofundar pesquisas e novas descobertas. "Desde que o Brasil anunciou o programa Ciência sem Fronteiras, há alguns meses, mais de dez mil jovens estudantes deste país estão matriculados em universidades britânicas. Isso gerou grande interesse de meu país em aumentar os laços com o Brasil por meio da Educação. Este Congresso é uma oportunidade de integração e informação com riqueza de conhecimento", afirmou.

Também participaram do Congresso o secretário estadual da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, Cleber Prodanov, a diretora executiva da Digital Media Zone (DMZ), Valerie Fox, que desenvolveu o site oficial das Olimpíadas de Sydney, diretor de inovação do Sistema Indústria, Paulo Mol, e representante da empresa Boo-Box, que está entre as 50 mais inovadoras no ranking da revista Fast Company.


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