terça-feira, 18 de setembro de 2012

Inovação e tecnologia: gerenciamento de obras e descarte de resíduos são gargalos da construção civil

A necessidade de adotar soluções inovadoras no gerenciamento dos canteiros de obras e de chamar a atenção dos profissionais do ramo da construção civil e dos empreendedores do setor para o descarte correto dos resíduos sólidos da obra foram temas tratados na recente feira Construir Bahia 2012, na última quinta (13/9/2012), no Centro de Convenções de Salvador. Os dois temas foram tratados durante o 10º Seminário Tecnológico e 9º Seminário de Inovação na Construção Civil, realizado pelo Senai, em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e o Sebrae.

A importância dos debates no evento, que completa dez anos, foram ressaltados pelo presidente do Sinduscon, Carlos Alberto Vieira Lima. “Não podemos ficar no estágio em que estamos, com canteiros e processos de construção que permanecem os mesmos de 40 anos atrás e pagando um preço elevado por isso”, destacou. Vieira Lima também ressaltou que é preciso humanizar os canteiros, bem como inserir o planejamento como elemento essencial da obra.

Clarice: experiências sustentáveis (Foto João Alvarez/Sistema Fieb)


Durante o seminário, foram realizadas cinco palestras, entre elas as da engenheira Clarice Degani,  pesquisadora da Escola Politécnica da USP, e do professor José de Paula Barros Neto, doutor em Administração pela UFGRS e professor titular do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará. Clarice falou sobre canteiros de baixo impacto ambiental e Barros Neto tratou da adoção da filosofia de gestão Lear (tecnologia de produção enxuta).

Um canteiro com baixo impacto ambiental, segundo Clarice, é aquele que traz menos incômodo para a cidade, a vizinhança, em termos de poluição, ruído, consumo de insumos, gestão de resíduo, a formalização do trabalho.

Ela explica que, no Brasil, em razão da fiscalização mais efetiva pelo Ministério do Trabalho da Norma Regulamentadora 18, que trata das condições e meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção, há um maior cuidado por parte das empresas em relação à segurança e saúde do trabalhador. As ações de minimização de perdas também encontram bastante aderência por parte do meio empresarial, por reduzir custos.

A norma do Conama vai focar na questão dos resíduos, impondo um rigor maior na separação e encaminhamento dos resíduos para a reciclagem. Mas a ausência de fiscalização, fez com que a resolução do Conama não tivesse a mesma receptividade nos canteiros, apesar da sua importância. “A expectativa é que esta realidade mude a partir de agora com a exigência do Conama de que os municípios tenham um Plano de Gestão de Resíduos da Construção Civil”. A norma foi instituída há 10 anos, mas não foi adotada na prática porque os municípios não criaram áreas específicas para destinação destes resíduos.

Barros Neto, que também atua como consultor do Senai da Bahia, falou sobre a adoção da produção enxuta na construção civil (filosofia Lear) que está sendo adotada por várias construtoras do Ceará, apresentando bons resultados na redução de custos .da ordem de 15 a 20%. De acordo Barros Neto, o objetivo é a redução do desperdício nos diversos estágios da obra, promovendo economia de tempo e de dinheiro.

A ênfase da filosofia Lear é no planejamento da obra, a partir do mapeamento de fluxos que tornam a obra mais visual e permite a detecção dos problemas para atacá-los com soluções. De acordo com o professor, a Bahia ainda não adota a Lear na construção civil, mas na próxima semana, o Senai-BA vai levar um grupo de empresários a Fortaleza para conhecer de perto esta filosofia de gestão.


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