quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Educação para o trabalho: competidores catarinenses treinam forte para Olimpíada do Senai


Em época de Jogos Olímpicos, um grupo de 35 catarinenses está atento para outro tipo de competição. Eles dedicam de seis a oito horas diárias em treinamentos para a Olimpíada do Conhecimento, principal disputa de Educação profissional e de tecnologia que o Senai promove a cada dois anos pares. Em novembro, no Anhembi, em São Paulo, os alunos do Senai de Santa Catarina vão medir seus conhecimentos, habilidades e atitudes profissionais com parceiros da organização de todo o país.

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Os alunos catarinenses, entre os quais quatro que participam das provas para pessoas com deficiência e necessidades educacionais especiais, vão disputar 33 ocupações industriais. Na mira dos juízes a capacidade de planejamento e o bom aproveitamento de recursos e tempo no desenvolvimento de atividades típicas de suas profissões. As provas exigem desempenho de alto padrão de qualidade e produtividade. Os primeiros colocados em cada disputa vão se candidatar a vagas na equipe brasileira que vai ao 42º WorldSkills Competition, maior competição internacional do gênero, que será realizado em Liepzig, na Alemanha, em julho de 2013.

A competida Isadora Micaela Guercovich, de 17 anos, de Blumenau, viu sua vida mudar com as competições e treina forte na ocupação Tecnologia da Moda-Vestuário. "Tenho mais cobranças e muito reconhecimento por parte dos professores e mesmo do mercado.”

Uma novidade nesta Olimpíada é a disputa oficial da ocupação de manutenção de aeronáutica. Aos 22 anos e já em seu terceiro curso técnico (todos na área de mecânica de aeronaves), Felipe Augusto Kupchak, São José, é um dos primeiros estudantes do país a disputar a prova. "Quero alcançar o topo, chegar onde puder ir na carreira, trabalhar e estudar no exterior; a Olimpíada do Conhecimento pode me ajudar nisso.” Para alcançar o sucesso, Felipe se dedica diariamente das 13 às 22 horas para treinamentos.

Ariel Bertoluci, de Blumenau, 17 anos, tem a receita do sucesso: "treinamento diário, intenso, bem puxado, para obter um bom resultado no nacional e em seguida no mundial". Ele será o primeiro catarinense a disputar em Construção em Alvenaria.

Independentemente de resultados, Guilherme Vilvert, de 20 anos, de Joinville e que compete em Fresagem CNC destaca que as portas do mercado de trabalho estão se ampliando. Já passei para as máquinas melhores da empresa onde atuo", que o liberou para os treinamentos.

Quem também está comprometido com resultados é Bruno Angelo Medeiros, de Tubarão. Talvez com maior responsabilidade ele estará na Olimpíada em web design, a ocupação na qual Santa Catarina conseguiu três medalhas nas últimas três edições do WorldSkills, incluindo a de ouro em 2011. Apesar de a preparação ter o cuidado de evitar esse tipo de pressão, Bruno sente o desafio, mesmo porque é treinado pelo medalhista internacional de prata em 2009, André Ramos.

Quando entrou no SENAI, Bruno, hoje com 20 anos, percebeu que o web design seria uma excelente alternativa de carreira profissional. Acabou se destacando e sendo convidado para a etapa estadual da Olimpíada do Conhecimento, que venceu. No primeiro semestre de 2012, dedicava seis horas diárias aos treinamentos. Para o segundo semestre, ele trancou a faculdade, que fazia à noite, para treinar nos períodos vespertino e noturno. "É cansativo, mas vale o esforço", afirma.

Para o presidente do Sistema Fiesc, Glauco José Côrte, as competições têm reflexos positivos para a indústria, porque mostra a competitividade, a qualificação, a capacidade dos alunos preparados. "É um valioso instrumento de motivação aos demais estudantes para que se preparem, estudem e se empenhem para se tornarem bons profissionais".

O diretor regional do SENAI/SC, Sérgio Roberto Arruda, compara contribuição da Olimpíada do Conhecimento para a educação com a da Fórmula 1 para a indústria automobilística. "A Olimpíada do Conhecimento é um grande laboratório de práticas e metodologias pedagógicas que permitem que possamos aprimorar o ensino, a educação e a qualidade da educação profissional de Santa Catarina e, por extensão, do Brasil".

O instrutor de construção de alvenaria, Almir Gonçalves, concorda e cita o exemplo de sua área. Segundo ele, o treinamento diferenciado, os conhecimentos adquiridos dia a dia acabarão se refletindo nas demais disciplinas do curso, nos outros cursos da instituição e se refletirão na melhor qualificação dos profissionais que chegarão ao mercado de trabalho.


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