quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Indústria criativa: Setor emprega 24% dos trabalhadores do Estado do Rio

Em 2010 as atividades da indústria, serviços e comércio pertencentes à cadeia criativa do Estado do Rio de Janeiro empregavam 974 mil trabalhadores, quase um quarto dos trabalhadores formais (24%). Os principais empregadores são a arquitetura, a moda e o design, que juntos reúnem mais de 800 mil pessoas profissionais no estado em 2010. Apenas esses setores detêm 20% do total de trabalhadores do estado e 84% do total da cadeia criativa fluminense.

As três grandes atividades vêm conquistando cada vez mais espaço na economia do estado nos últimos anos: foram os setores da cadeia da indústria criativa que mais geraram empregos entre 2006 e 2010. Impulsionada pelo crescimento da construção civil no estado, a área de arquitetura gerou mais de 100 mil novos empregos diretos e indiretos. No mercado de trabalho da moda, foram cerca de 44 mil novos postos de trabalho. Por sua vez, design elevou em 16 mil seu número de funcionários ao longo desses quatro anos.

E não foi apenas na quantidade de trabalhadores que os três maiores cresceram: enquanto o número de carteiras assinadas subiu 26%, a renda dos trabalhadores registrou incremento de 76% entre 2006 e 2010. Para efeito de comparação, o número de empregados do estado como um todo avançou 21%, e a massa salarial fluminense aumentou 67%. Os dados são de um recorte inédito do estudo A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil – Edição 2011, lançado no fim do ano passado pelo Sistema Firjan.

Os trabalhadores da indústria criativa do Rio, que também engloba profissionais de áreas como televisão, música, cinema e publicidade, são os mais bem remunerados do setor no Brasil. Com salário médio de R$ 3.014, a renda é 31% maior do que a média dos demais núcleos criativos estaduais e 64% superior ao salário dos demais trabalhadores do estado. Em três atividades, o profissional fluminense é o mais bem pago do país: televisão & rádio, com remuneração média de R$ 4.971 – a maior dentre todos os segmentos do núcleo da indústria criativa; música, com R$ 3.263 - valor duas vezes superior à média nacional; e arquitetura, com R$ 2.467.

São Paulo apresenta a maior remuneração média em quatro setores criativos: software & computação (R$ 3.198) - sobretudo serviços em tecnologia da informação e desenvolvimento de programas de computação; mercado editorial (R$ 2.753) - que engloba as atividades de edição e impressão de livros e jornais; publicidade (R$ 2.474) - com suas diversas agências de publicidade e institutos de pesquisas de mercado e opinião; e filme & vídeo (R$ 1.289) - que contempla a produção e a distribuição cinematográfica de vídeo e de programas de televisão.

Nos três estados do Sul, chama a atenção os salários pagos aos profissionais de design, especialmente na atividade de decoração de interiores, com salários que se aproximam a R$ 2 mil em Santa Catarina, a frente da média brasileira de R$1.294. No outro extremo do país, no Norte, os profissionais de artes visuais do Pará e do Amazonas, que trabalham com atividades de museus, restauração artística e conservação de lugares e prédios históricos, são os mais bem pagos do país, com remuneração média superior a R$ 2.100.

Em 2010, as atividades do núcleo do setor criativo empregavam 771 mil trabalhadores formais em todo o país, ou 1,7% do total. O Estado de São Paulo destacou-se pelo maior número de empregados, com 315 mil, e pela maior proporção de empregados no núcleo da indústria criativa em relação ao total de trabalhadores no estado: 2,4%. Logo em seguida, aparecem os estados do Rio de Janeiro, onde 2,2% dos trabalhadores formais pertencem às atividades criativas, e Santa Catarina, com 2% da força de trabalho.

O documento divulgado pelo Sistema Firjan atualiza o estudo A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil, lançado de forma pioneira em 2008. O estudo faz referência à abordagem adotada pela Unctad (ONU), que sugere uma definição de indústria criativa como “os ciclos de criação, produção e distribuição, de bens e serviços que usam criatividade e capital intelectual como insumos primários”. O trabalho trouxe uma visão de cadeia da indústria criativa, composta por três grandes áreas - núcleo criativo, atividades relacionadas e apoio.

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