quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Profissões do futuro: Senai estuda a aplicação de novo modelo de ensino

O especialista norte-americano Jim Lengel (foto) apresentou a profissionais do Senai de Santa Catarina o modelo de "educação 3.0", que ele preconiza como a forma de "preparar as pessoas para o ambiente do trabalho de hoje e do futuro". Seu workshop em Florianópolis na terça (13/12) é decorrência de contribuição da Cisco, da qual é consultor, para as discussões sobre o modelo da Escola Profissional do Futuro, que o Senai vai instalar em Santa Catarina como projeto-piloto para posterior uso em todo o País.

Pesquisador da área, Lengel observa que o primeiro estágio da educação preparava para a agricultura e o segundo para as necessidades da revolução industrial, atendendo, em cada fase, as demandas. Assim a educação 1.0 estava muito mais focada na autossuficiência do indivíduo, que produzia as próprias ferramentas de trabalho. Essa condição, na opinião de Lengel, explica o modelo atual de educação com alunos dispostos em sala de aula como se estivessem numa indústria.

O formato das salas de aula, com o professor transmitindo conhecimentos é o modelo questionado por Lengel e que também gera inquietação na equipe do Senai que pensa a escola profissional do futuro. "O professor não é mais um detentor e transmissor do conhecimento; ele passa a ser um facilitador do processo da construção de conhecimentos que possam solucionar os problemas", explica o diretor regional do Senai-SC, Sérgio Roberto Arruda. Em sua exposição, Lengel organizou os participantes em grupos que interagiam, buscando exatamente fugir do modelo tradicional.

A informação é outro desafio dos processos de ensino-aprendizagem. "No passado, o grande desafio era de que havia poucos livros nas bibliotecas e uma dificuldade em obter informações. Hoje é o contrário. Há muitas fontes de informação, dispersas muitas vezes, e o segredo está em distinguir quais são as úteis e quais não", salienta Lengel.

A indiana Shikha Dubey, executiva da Global Education Development da Cisco, também participou do trabalho e destacou o papel da tecnologia nos modernos modelos educacionais. "Tecnologia tem um valor muito grande quando usada dentro de sala de aula, de apoio e suporte aos docentes tanto no desenvolvimento quanto na própria avaliação do processo educacional."

A escola profissional do futuro deve atender às características das novas gerações. "É uma pessoa digitalizada, acostumada com a tecnologia da comunicação, que opera computadores, celulares e tablets e que não quer ficar sentado num banco durante quatro horas ouvindo um professor falar de assuntos que não lhe atraem". Por isso, segundo Sérgio Roberto Arruda, a proposta é construir é um modelo articulando educação profissional com a educação geral. "Queremos uma pedagogia moderna, apoiada numa tecnologia atualizada; uma escola que dê resultado, que tenha eficácia no processo de ensino aprendizagem e que transforme os alunos em profissionais de alta qualificação e capacidade de enfrentar os problemas que a vida profissional coloca".

Stefani Dias Leite, de 15 anos, que cursa o primeiro ano do ensino médio do Senai de São José, foi uma das estudantes participantes da exposição de Lengel. Ela ficou empolgada com a proposta. "Eu acho que a escola do futuro deve ter uma onda mais criativa, que amplie nossas mentes e nossas possibilidades".
Reportagem e foto Ivonei Fazzioni

Nenhum comentário:

Postar um comentário