sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Micromultinacionais: Novas tecnologias revolucionam a produção e as relações de trabalho, diz especialista canadense

O futuro é das micros e das pequenas empresas, ou das “micromultinacionais”, como prefere chamar Anthony Williams (foto), especialista no estudo do impacto das novas tecnologias na economia e na sociedade.  Em palestra na sede do Sistema Indústria, nesta quinta (15/12), o canadense radicado em Londres defendeu que, com raras exceções, as grandes empresas deixarão de existir em um futuro relativamente próximo.

Para Williams, a interconexão entre os trabalhos individuais ou de pequenos grupos de diferentes segmentos por meio da internet é uma tendência do mundo moderno. Isso permitirá que produtos e processos inovadores sejam desenvolvidos em todo o mundo e que essa rede reestruture as relações de trabalho, as formas de produção, o comércio de bens e serviços e os métodos de acesso ao conhecimento.

“Começamos a pesquisar o que chamamos de wikiconomics em 2006, após uma forte recessão no Ocidente. Essa crise foi um ponto de inflexão, muitas instituições pelo mundo estavam passando para novos modelos. E nessa fase também observamos como a internet mudava valores”, explicou Williams. “Quanto mais analisávamos, mais percebíamos que a rede tem uma grande habilidade de conectar milhões de pessoas. A partir de exemplos como o Wikipedia, que não tem um gerenciamento de sistemas, ou seja, as pessoas são livres para participar, pensamos em outras possibilidades de conexão”, conta ele.

Coautor dos livros Wikinomics: how mass colaboration changes everything e Macrowikinomics: rebooting business and the world, Anthony Williams ressaltou, no entanto, que, a sustentação desse modelo depende de três princípios. O primeiro é o da colaboração, ou seja, o desejo de atuar em um sistema cooperativo de troca. O segundo é o da conectividade, que permite às empresas chegarem aos talentos que não fazem parte dos seus quadros. E o terceiro é o de abertura, que abre  oportunidades para gerar inovação.

“Um exemplo de como isso pode funcionar é o Linux. Um dia, um hacker criou um sistema operacional alternativo e pediu a pessoas de todo o mundo conselhos e dicas de como melhorá-lo. Ele incorporou essas mudanças e criou um sistema robusto, que está presente em milhares de produtos de consumo e é usado por empresas como a Google, a Motorola e a companhia de tráfego aéreo alemã”, disse Williams. “Essa experiência mudou a indústria de softwares.”

A presença de Anthony Williams no Sistema Indústria é parte da oficina na qual se discute o projeto Educação Livre, em fase de concepção. A iniciativa pensa métodos inovadores para elevar o grau de conhecimento e as habilidades em português e matemática de estudantes brasileiros, democratizar o acesso ao conhecimento, por meio da internet, e promover a inclusão digital desses jovens.

“Por meio da internet, de lan houses, esperamos oferecer um fonte de saber lúdica, organizada e orientada”, adiantou Sérgio Moreira, diretor-adjunto de Educação e Tecnologia da CNI. “A ideia de trabalhar em rede é o nosso futuro.” A proposta encantou Anthony Williams. “Esse é um dos projetos mais ambiciosos que eu já vi. Os modelos educacionais precisam ser revistos”, disse Williams.

De acordo com Williams, a rede proposta pelo conceito de wikinomics só se viabiliza a partir da customização da educação. “Para que ir à aula para ver algo se você pode ver de casa, no computador? Repensar o modelo de pedagogia é o primeiro ponto. A educação tradicional pensa os alunos apenas como receptores passivos. Mas os novos modelos que começam a surgir focam-se na diversidade deles e na troca entre todos”, argumentou.

O canadense listou regras para que a reinvenção funcione. “É importante não só criar ambientes propícios a novos métodos educacionais, mas também permitir que outras pessoas participem, ajudem na melhoria dos conteúdos. É preciso também que se fomente a participação direta de todos nos ambientes sociais. E, por fim, deve-se engajar os jovens e torná-los parte da iniciativa”, completou.

Também participam da oficina sobre o Educação Livre representantes da ONG Cads Vestibulares, fundada por alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Universidad de La Coruña, da Espanha, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Arche, da Fundação Getúlio Vargas e do Aquino Consultores. A oficina se encerra nesta sexta (16/12).
Foto José Paulo Lacerda/Sistema Indústria

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