quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Leite com mais qualidade: Produto brasileiro precisa avançar 50 anos em cinco para conquistar mercado mundial, diz empresário

Archer e Minestrina trocam informações sobre produção de leite
Archer e Minestrina trocam informações
sobre qualidade e produção de leite

O leite brasileiro precisa avançar em qualidade e produtividade para alcançar com mais força o mercado internacional, avalia o empresário Acari Minestrina, um dos pioneiros da indústria de laticínios do Oeste de Santa Catarina.

Em conversa com Richard Archer, especialista em leites da Massey University, da Nova Zelândia, no Workshop Internacional de Alimentos, que o Senai promoveu em Chapecó, o industrial catarinense parafraseou Juscelino Kubistchek para dizer que o Brasil precisa avançar 50 anos em cinco para chegar aos melhores padrões internacionais. O empresário é o proprietário da Gran Mestri, indústria especializada em queijos de alto valor agregado,

O 'Plano de Metas' que Minestrina propõe para o leite brasileiro é buscar a eficiência e a qualidade do leite neozelandês. "Eles investem em pastos de boa qualidade e obtém leite com mais sólidos", afirma o empresário. Sólidos são proteínas e gorduras, que na Nova Zelândia chegam, respectivamente, a 3,7% e 4,5% do leite, valores que no Brasil ficam na ordem de 3% e 3,5%.

Essa diferença, segundo Minestrina, resulta em dois quilos queijo a mais em cada 100 litros de leite (produtividade 20% maior no país da Oceania). Outra diferença citada pelo empresário catarinense: na Nova Zelândia, algumas cooperativas coletam 700 mil litros de leite num raio de seis quilômetros, no Brasil esse a média chega a 350 quilômetros para a mesma quantidade recolhida.

Minestrina tem algumas receitas para que o Brasil ganhe produtividade e qualidade no leite e possa competir com os neozelandeses e outros players no mercado europeu. Ele defende normas técnicas relacionadas à tolerância de microorganismos, profissionalização do agricultor e investimento em pesquisas para produção de pasto de alta qualidade. O Brasil vende hoje 5%, 6% de sua produção ao mercado externo. "Mas não para mercados exigentes", observa Minestrina.
Reportagem e foto Ivonei Fazzioni/Sistema Fiesc

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