sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Geração Y exige readaptação do mercado de trabalho e da educação

A necessidade de adaptação das empresas e das escolas à Geração Y, nascidos entre a década de 1980 e 1990, foi o tema das palestras realizadas durante o Café com RH, promovido pelo Senai e o IEL de Santa Catarina, na quinta (10/11), em Florianópolis. "O público-alvo mudou e a educação não", afirmou o diretor do Senai-SC, Sérgio Roberto Arruda, durante o seu painel. "As escolas brasileiras não tiveram a capacidade de se reinventar e propor um modelo pedagógico que fosse mais adequado aos dias de hoje, principalmente com a nova geração e com a universalização da educação, já que praticamente todas as pessoas em idade escolar estão matriculadas", destacou Arruda.

Ele falou ainda que o sistema público de educação tem alguns problemas de base que não estão sendo solucionados. "Precisamos de uma nova forma de preparar os professores, fazer uma revisão de currículos, pensar em uma estrutura de educação focada no novo perfil de aluno, além de afastar a educação da questão política partidária, porque essa relação contamina e dificulta a solução dos problemas na área", ressaltou.

O mercado de trabalho também deve se adaptar à Geração Y. "As empresas precisam perceber o perfil desse jovem e atender as suas expectativas", afirmou a psicóloga Andresa Darosci. Ela explica que essa nova geração está em busca constante de satisfação profissional e pessoal. "Eles procuram empresas que possam investir na sua aprendizagem e trazer resultados imediatos. É uma geração que trabalha e atua frente à tecnologia. São profissionais criativos, inovadores, questionadores. Já o perfil da Geração X, que antecede a atual, tem questões mais arraigadas como empregos de longo tempo, a valorização da ética, o comprometimento e a responsabilidade", disse. "A tecnologia era algo novo."

Segundo Andresa, as duas gerações se complementam, mas existem alguns conflitos que permeiam valores pessoais e profissionais. "A Geração X valoriza o comprometimento com a organização, a Y não tem tanto esse compromisso com a empresa, mas sim com a sua formação profissional, seu aprendizado e crescimento. Por isso a dificuldade de perceber a renovação e o oxigênio que essa nova geração traz para dentro da organização. "

Na Tractebel Energia, que apresentou seu modelo de gestão durante o evento, a estrutura foi modificada buscando a valorização das pessoas. "Precisamos que os colaboradores encontrem dentro da empresa um ambiente propício ao seu desenvolvimento, para que elas queiram permanecer na companhia. Isso implica dar a eles muitas oportunidades, desafios e reconhecimento, fazendo com que percebam que estão crescendo e se tornando melhores a cada dia dentro da empresa", explicou o diretor administrativo da Tractebel, Luciano Flavio Andriani.

O superintendente do IEL-SC, Natalino Uggioni, encerrou o encontro mostrando como o estágio pode contribuir para a formação profissional do estudante e auxiliar as empresas a suprir a falta de mão de obra qualificada. "O estágio é um processo do qual a empresa pode se beneficiar, se tiver um bom programa de estágio. A escola forma alunos para todas as empresas. É muito difícil conseguir atender as diversas culturas organizacionais. Durante o período de estágio, as empresas podem formar o seu futuro talento de acordo com o comportamento e a capacidade técnica necessária."  

O presidente do Sistema Fiesc, Glauco José Côrte, confirmou a importância da aproximação entre as empresas e o Sistema para elevar a competitividade da indústria. "Além do investimento em educação, inovação e design, o estreitamento da relação entre as empresas, os sindicatos e o Sistema é muito importante para desenvolvermos ainda mais a indústria de Santa Catarina."
Reportagem de Maiara Raupp da Silva

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