segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Empreendedorismo: Encontro debate educação e internacionalização de empresas

“Não é possível inovar sem educação. O alicerce de tudo é a educação básica. Para que uma empresa sobreviva hoje no mercado brasileiro, é necessário investir em pesquisa, desenvolvimento e na qualificação de seus funcionários”. A afirmação é de Ater Cristófoli, empresário de Campo Mourão, no Paraná, que participou do 2º encontro de Boas Práticas em Inovação, realizado pelo Centro Internacional de Inovação (C2i) na sexta (25/11), em Curitiba.

O encontro reuniu empresários de diversas regiões do Paraná para gerar um conjunto de boas práticas na área da inovação, que serão disseminadas para outras empresas. “O empreendedorismo no Brasil é muito exacerbado, mas não porque as pessoas estejam preparadas ou porque tenham uma ideia fantástica, mas porque elas estão procurando emprego”, comentou o vice-presidente do Sistema Fiep, Sidney Paciornik, ao elogiar Cristófoli como um empreendedor de sucesso.

“Quando comecei minha empresa, há 20 anos, não tinha dinheiro, não sabia nada da área, e não havia mão de obra especializada em Campo Mourão. Eu era um protético que começou a fabricar autoclaves (esterilizadores) semelhantes aos que já existiam no mercado nacional. Hoje, minha empresa é líder na América do Sul”, disse o empresário e proprietário da Cristófoli Equipamentos de Biossegurança, que também é coordenador regional do Sistema Fiep em Campo Mourão.

Para minimizar os prejuízos por conta da falta de profissionais especializados, Cristófoli criou, em 1997, a Fundação Educere, que passou a funcionar como uma escola técnica de eletrônica. “Selecionávamos os melhores alunos das escolas para a qualificação. No começo, os engenheiros da empresa davam aulas para os alunos duas vezes por semana e nos outros dias eles ficavam nos laboratórios. Hoje, muitos destes jovens que foram qualificados abriram seu próprio negócio na área da saúde”, contou Cristófoli.

Segundo o empresário, o Brasil ainda forma poucos profissionais, principalmente engenheiros, para trabalhar nas indústrias. Na China, 400 mil novos engenheiros chegam ao mercado de trabalho, uma média de 25 profissionais para cada 100 mil habitantes. No Brasil, são 30 mil formados – 6 a cada 100 mil habitantes.

Outra questão que prejudica os empresários brasileiros é a concorrência estrangeira e a alta carga tributária. “Há cinco anos, eu exportava para 35 países, mas fui perdendo todos meus clientes para os chineses. Foi aí que resolvi arriscar e abrir uma fábrica na China. Em um ano, montei e estruturei uma empresa, formei um time com oito engenheiros e já desenvolvemos 10 produtos. No Brasil, demorei anos para chegar a este patamar”, relatou.

Na avaliação do empresário João Alberto Soares, de Cascavel, que participou do encontro, no Brasil, há muita dificuldade para montar uma empresa de alta tecnologia por falta de mão de obra especializada. “Na China você tem essa possibilidade de ter profissionais especializados com um custo competitivo. No Brasil formamos muito, mas com pouca capacidade”, destacou o empresário.

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