quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Educação profissional e tecnológica: Especialistas dão dicas para vencer os desafios da qualificação

Benefícios que vão além do salário, ambiente saudável, estímulo à educação e inovação, valorização do profissional, flexibilização das relações do trabalho e criação de ambientes de aprendizagem. Estas são as dimensões que as empresas precisam atentar para atrair, qualificar e reter talentos, segundo Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia do Sistema Indústria. Ele participou nesta terça (22/11), em Curitiba, do workshop Desafio da Qualificação, promovido pelo Senai e Sesi do Paraná e a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PR).

“A cultura das organizações se traduz na soma dos indivíduos. São os profissionais de recursos humanos que vão se valer de um conjunto de tecnologias e ciência para trabalhar melhor e potencializar o capital humano nas organizações”, disse Lucchesi, que também é o principal executivo do Senai Nacional. O encontro reuniu empresários e representantes de mais de cem empresas do Paraná.


O presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, destacou a responsabilidade dos profissionais de recursos humanos dentro das empresas. “Apesar de toda turbulência instalada nas economias do mundo, existe no Brasil um grande potencial de consumo e de atração de investimentos. Para dar conta das novas demandas, precisamos de uma força de trabalho eficiente e capacitada, e é responsabilidade dos profissionais de recursos humanos pensar em estratégias para reter os talentos nas empresas.”

Para Sonia Gurgel, presidente da ABRH-PR, as parcerias são fundamentais para desenvolver ações concretas que ajudem os profissionais das empresas a traçar metas e planos de qualificação. “O mundo é complexo e precisamos fazer parcerias com instituições como o Sesi e o Senai, que têm know how, com empresas, com sindicatos e dentro dos segmentos. O país precisa crescer e, para isso, são necessários profissionais qualificados.”

O workshop de Curitiba é o primeiro de uma série de eventos que ocorrerão em várias capitais. Segundo presidente da ABRH Nacional, Leyla Nascimento, uma das principais preocupações da entidade é a disseminação do conhecimento para os gestores de pessoas nas organizações. “Discussões sobre gestão de talentos e qualificação sempre estão na pauta da ABRH, mas agora teremos a oportunidade de conversar diretamente com as empresas.”

Na avaliação de Rafael Luchesi, a educação profissional depende diretamente da qualidade do ensino básico. “Temos dificuldade em formar técnicos, pois nossa matriz educacional incentiva o bacharelado. Não incentivamos a educação profissional. De cada cem graduados no Brasil, cinco são engenheiros e arquitetos.” Luchesi ressaltando que o Brasil precisa pensar em uma agenda que não contemple apenas a qualidade da educação, mas também a matriz educacional.

Uma pesquisa realizada pelo Senai Nacional mostra que a 53% da demanda futura de trabalhadores para a indústria, entre 2011 e 2014, será de cursos de qualificação com até 200 horas. A demanda por formação técnica será de 18%. Somente este ano, o Senai registrou 2,3 milhões e matrículas em todo o país, sendo 377 mil destinadas à qualificação.

Segundo o economista e especialista em relações com o mercado, Marcelo Neri, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas sobre educação básica e educação profissional mostra que quem faz o ensino médio técnico tem um retorno maior do que quem fez apenas o ensino médio. Quanto mais elevado o nível de educação, maior o salário e maiores as chances de ocupação.

“Na corrida de obstáculos entre oferta e demanda, a educação profissional permite às pessoas conciliarem trabalho e estudo, em prazo mais curto e mais direto às necessidades das empresas”, disse Neri, citando pesquisa feita em seis regiões metropolitanas. O levantamento constatou que entre 2004 e 2007 houve um aumento de 75% na oferta de educação profissional do país.

Para o diretor de educação da ABRH Nacional, Luiz Edmundo Rosa, as empresas são os principais agentes de transformação do país. “É necessário incentivar o jovem a seguir uma carreira no setor produtivo, uma vez que a maioria dos recém-formados quer fazer concurso público.”

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