segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A vez da terceira idade: Especialistas defendem inclusão e manutenção dos idosos no mercado de trabalho


Em uma época na qual os idosos pensam cada vez mais em manter as atividades do dia a dia depois da aposentadoria, o Senai Nacional e o Senai de São Paulo realizaram na semana passada (6/10), o seminário O Envelhecimento da Força de Trabalho: o que a Indústria tem a ver com Isso?. Especialistas discutiram os impactos do envelhecimento na população brasileira e o papel da indústria neste contexto.

O economista Eduardo Nunes (esquerda), ex-presidente do IBGE, compartilhou com uma platéia de mais de cem pessoas os temas que delinearam a evolução demográfica do país e a onda de população idosa no Brasil. Ele destacou que pessoas com idade acima de 65 anos representavam 4,8% da população brasileira em 1990; já em 2010 este índice aumentou para 7,4%, ou seja, mais de 14 milhões de idosos no país.

Mas como lidar com este novo Brasil? Nunes afirmou que são necessárias novas ações e programas voltados à terceira idade. Defendeu ainda a criação de programas de inclusão dos idosos. “Não precisamos construir escolas, precisamos construir educadores e oferecer o melhor nível de ensino. Precisamos de um programa de integração e inclusão social, psicológica e econômica dos idosos na sociedade brasileira."

Nunes afirmou que ainda não corremos o risco de ter um hiato de profissionais. “O papel social da população idosa é exatamente o de preparar o jovem para o novo mercado de trabalho; já o papel individual é também o fato de que ele não pode sair do mercado de trabalho prematuramente do ponto de vista biológico”. Entre os índices crescimento da população idosa em todas as faixas etárias, uma curiosidade: no Brasil, 23 mil pessoas possuem mais de cem anos de idade. E a maior parte se encontra na Bahia.

Laura Machado (direita), diretora da Interage Consultoria em Gerontologia e consultora do Senai, expôs o percurso que a questão do envelhecimento tem feito no cenário nacional e internacional. Para ela, é urgente a mudança organizacional e o entendimento das indústrias sobre a permanência dos idosos no mercado de trabalho.

Laura afirmou que 70% dos brasileiros querem se mantiver ativos após a aposentadoria, de acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH/RJ).

“O conceito de aposentadoria já ficou velho. Tínhamos este conceito da imagem de uma cadeira de balanço, dentro de casa, o que hoje não reflete a realidade”, ressaltou a diretora. Mas por que os idosos querem continuar trabalhando? Entre as justificativas, Laura listou a necessidade financeira e do benefício do plano de saúde oferecido pelas empresas, prazer em trabalhar, manutenção da atividade psicológica e mental e a vontade de se manter produtivo.

“Não há barreiras para quem quer continuar ativo. O empresário Roberto Marinho (jornalista fundador da Rede Globo de Televisão, falecido em 2003) começou seu empreendimento aos 60 anos de idade, quatro décadas atrás”, destacou. Laura falou sobre o Senai para a Maturidade, (vertente doPrograma Senai de Ações Inclusivas) cujo objetivo é inserir na educação profissional o trabalhador em processo de envelhecimento e dar subsídios aos interlocutores para a sustentação do projeto. Além disso, o Senai conscientiza sobre a importância da manutenção da empregabilidade mediante o desenvolvimento de programas de qualificação.

Ao final do evento, foi lançado o livro O Envelhecimento Populacional Brasileiro e o seu Impacto no Mercado de Trabalho: Desafios e Oportunidades. Clique aqui para baixar a versão digital da publicação.
Reportagem Edgar Marcel – Fotos Geraldo Lima

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