sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Qualificação profissional: Má qualidade da educação básica impede expansão da indústria, dizem empresários


As deficiências na educação básica, especialmente em matemática e português, têm influído na qualificação de profissionais e, em conseqüência, na ampliação e modernização de projetos industriais. A conclusão é de empresários em debate nesta quinta (27/10), sobre a educação, no último dia do  6º Encontro Nacional da Indústria (Enai), promovido pela CNI no Transamérica Expo Center, em São Paulo.


O diretor Global de Recursos Humanos da Vale, Luciano Pires, um dos participantes do debate, revelou que, recentemente, a segunda maior mineradora do mundo abriu 600 vagas para aprendizes no Pará e conseguiu selecionar apenas 200 candidatos. “Existe muito o que fazer na base da pirâmide da educação, sobretudo em matemática e português”. Para o diretor de Educação e Tecnologia do Sistema Indústria, Rafael Lucchesi (foto), a matriz da educação básica tem de ser mudada porque a indústria apresenta novos desafios que exigem capacidade de inovação.

“O Brasil não prepara a juventude para o trabalho, para a inserção competitiva. Temos problemas também na escolaridade e isso prejudica a entrada de alunos na educação profissional, porque falta conteúdo básico”, diagnosticou Lucchesi, que também é diretor-geral do Senai Nacional.
Segundo Lucchesi, o país tem 6 milhões de estudantes universitários e 9 milhões no ensino  médio, dos quais apenas 1 milhão está no ensino profissionalizante. “No Brasil o jovem tem em média 12 anos de frequência à escola, sem uma hora sequer de educação profissional, e só 10% dessa juventude vai para universidade. Não há preparação dos outros 90%."

Ele citou como uma das alternativas para alinhar a educação do ensino médio com a educação profissional a execução do Pronatec, cuja lei acaba de ser sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, e do qual o Senai e o Sesi são parceiros. “No outro período escolar o estudante do segundo e terceiro ano do ensino médio terá educação profissional, um link para inserção no trabalho."

Lucchesi confirmou que o Senai vai investir até 2014 R$ 1,5 bilhão na construção de cem novos centros de educação profissional e tecnológica, cem novas unidades de ensino móveis, 22 institutos de inovação e 40 institutos de tecnologia, tudo para ampliar a capacitação de profissionais e atender à demanda do Pronatec.   

Foto José Paulo Lacerda

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