segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Qualidade de vida e produção: Brasil precisa construir estratégia de sustentabilidade, diz Washington Novaes


O jornalista Washington Novaes (foto), um dos mais severos críticos e defensor do meio ambiente, pregou mudanças radicais nas formas de produção e no estilo de vida das pessoas para evitar uma catástrofe ambiental. Ele participou da abertura do Workshop Internacional Senai de Sustentabilidade Ambiental e Têxtil, promovido pelo Senai de Santa Catarina e o Sistema Fiesc no Hotel Himmelblau, em Blumenau.

O evento contou ainda com palestrantes da Alemanha, Espanha, Portugal. O Workshop de Sustentabilidade Ambiental e Têxtil é o segundo que o Senai-SC promove para discutir temas relacionados à indústria catarinense. Em setembro, em Joinville, ocorreu o primeiro evento, para o setor metalmecânico. Na segunda quinzena de novembro, outro workshop abordará em Chapecó aspectos relacionados ao setor de alimentos.

Na opinião de Novaes, as mudanças devem abranger a matriz energética, os sistemas de transporte, os padrões de construção e o uso de recursos, como água e minerais. "Em matéria de meio ambiente, a humanidade age como a família que gasta mais do que recebe", comparou o jornalista. O modo de vida do homem moderno, segundo ele, "é incompatível com a disponibilidade de recursos, mesmo com 800 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza". Novaes destacou que, para evitar que a temperatura média do planeta suba 2 graus Celsius, o mundo deveria reduzir a quantidade de emissões de carbono em 66%, "mas elas continuam crescendo".

O crítico entende que a matriz energética precisa ser modificada, ampliando a participação da energia renovável e, que neste aspecto, o Brasil tem grande potencial: dimensões continentais e possibilidade de produção de energia hídrica, solar e eólica. Outra mudança recomendada está no sistema de transporte, com ampliação e recuperação das ferrovias, cujos benefícios são ambientais e econômicos. Os padrões de construção devem ser modificados para a ampliação do aproveitamento de água da chuva e da iluminação natural.

"Um shopping center gasta energia com lâmpadas, que aquecem o ambiente, e depois consome mais energia para o ar condicionado compensar o calor produzido pela iluminação". Outra constatação: a retenção da água da chuva pelas residências, mesmo que não fosse aproveitada, reduziria o impacto das chuvas, pois os solos urbanos estão impermeados. Os padrões de construção também devem ser alterados para reduzir a quantidade de entulhos, analisa Novaes, que pede ainda investimentos em pesquisas sobre biologia e clima.

Quarto maior emissor de carbono do planeta e 11º em número de vítimas de tragédias ambientais, o Brasil tem seu dever de casa, na opinião de Washington Novaes. O jornalista defende que o país deva mudar sua posição de não acatar protocolos obrigatórios, pois hoje aceita apenas as recomendações.

"O Brasil é um dos países que mais sofrem com as mudanças climáticas, já tivemos um furação, além disso, deslizamentos, enchentes e secas se agravam". Ele observa que a própria pauta de exportações, baseada em commodities, é muito sensível aos problemas ambientais. "Temos que construir uma estratégia que leve em conta padrões de sustentabilidade."
Foto Divulgação

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