quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Do O Globo: Senai expande rede de escolas para atender demanda do Pronatec

O Senai vai construir cem novas escolas e adquirir outras cem unidades móveis até 2014 para atender ao aumento da demanda do Pronatec, do qual é um dos principais parceiros. O programa governamental ampliará a qualificação profissional, atualmente um dos mais graves gargalos ao crescimento da economia brasileira.

Lucchesi: educação deve ser prioridade da
agenda brasileira - Foto Miguel Ângelo
O Senai está negociando com o BNDES, no âmbito do Pronatec, empréstimo para seu programa de expansão, que prevê, entre as cem novas unidades fixas, o aumento da rede de centros de referência e dos centros tecnológicos de alta performance. O financiamento, ainda sem valor definido, será usado também para modernização de equipamentos e laboratórios e formação de professores. A instituição possui 797 unidades em todo país, e a expansão representará acréscimo da ordem de 25% à estrutura atual.

Aprovado na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, o Pronatec tem como meta abrir oito milhões de novas vagas no ensino profissionalizante até 2014, instalando novas unidades de ensino, concedendo bolsas de estudo, financiando estudantes e empresas que queiram qualificar seus trabalhadores.

Ao atenuar o problema da escassez de mão de obra especializada, o programa, lançado pela presidente Dilma Rousseff, em abril, pretende evitar a contratação de profissionais no exterior, a exemplo do que vem fazendo a Odebrecht Óleo & Gás, que atua na exploração de petróleo. O diretor de Operações do Senai Nacional, Gustavo Leal, informa que 80 mil vagas de ensino profissionalizante estarão imediatamente disponíveis no Senai a partir da implantação do Pronatec e que a entidade quer atingir a marca dos quatro milhões de matrículas anuais até 2014, quase o dobro do ano passado.

O Brasil possui seis milhões de estudantes no ensino universitário e nove milhões no nível médio, dos quais apenas um milhão em cursos profissionalizantes. "Essa proporção é muito pequena", afirma o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi.

Segundo ele, o ideal é que ao menos três milhões dos estudantes de nível médio estivessem matriculados em cursos profissionalizantes. No ensino superior, o desafio é aumentar o número de matriculados nos cursos de Engenharia. "De cada grupo de cem estudantes graduados, apenas cinco são diplomados engenheiros", destaca Lucchesi, acrescentando que "a educação deve ser prioridade da agenda brasileira, porque promove a cidadania, o desenvolvimento econômico e social e a competitividade da indústria".

"Apagão" de mão de obra
A escassez de trabalhadores qualificados afeta diretamente a competitividade das empresas brasileiras, revela pesquisa da CNI. O problema atinge sete em cada dez indústrias, segundo a Sondagem Industrial Falta de Trabalhador Qualificado na Indústria, divulgada em abril. De acordo com o levantamento, 69% das indústrias enfrentam o problema de qualificação do trabalhador. Nas indústrias de grande porte, o problema alcança 63% delas, índice que sobe a 70% nas empresas médias e pequenas.

Outro dado preocupante aponta que 52% das indústrias consultadas atribuem à má qualidade da educação básica uma das principais dificuldades que têm para capacitar seus trabalhadores. "As empresas precisam de trabalhadores versáteis e flexíveis, o que exige educação e treinamento", diagnostica o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, coordenador do levantamento. O impacto maior é sentido na produção. A maioria das empresas (94%) tem dificuldade em encontrar operadores e técnicos (82%). Há carência também nas áreas de vendas/marketing (71%) e administrativa (66%). Faltam ainda gerentes e profissionais de pesquisa e desenvolvimento (62%) e engenheiros (61%).

O problema atinge a toda a indústria, sendo mais crítico nos segmentos de vestuário (84% das empresas), equipamentos de transporte (83%), limpeza e perfumaria (82%) e móveis (80%). Mais informações estão disponíveis no www.cni.org.br, seção de publicações e pesquisas.

Escassez de engenheiros freia crescimento
O Plano Nacional Pró-Engenharia, a ser levado à aprovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, fixou a meta de formar 77 mil engenheiros e tecnólogos até 2015, ampliando em 60% o atual número de graduados nessas áreas. A proposta é da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Ministério da Educação, formulada em parceria com a CNI, o Senai, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), entre outras entidades.

Para adequar currículos dos cursos de engenharia às necessidades de mercado, reduzindo a evasão atual – na casa dos 50% – a CNI desenvolveu o programa Inova Engenharia. "Dos 40 mil estudantes que entram por ano no curso de Engenharia, apenas 25% se formam", justifica o superintendente nacional do IEL, Carlos Cavalcante. As desistências têm como uma das possíveis causas a distância entre os currículos e a realidade do mercado.

O estudo Potenciais Gargalos e Prováveis Caminhos de Ajustes da Engenharia no Brasil, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que, caso a economia cresça mais de 4,5% ao ano, em 2020 a oferta de engenheiros não será suficiente para suprir a demanda da indústria, da agroindústria, do comércio e das áreas de tecnologia.

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