quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Do Brasil Econômico: Fies corporativo é saída para investir em capacitação*


Linha de financiamento para formação, prevista no Pronatec, deve incentivar empresas a ampliar recursos para a área

O ministro da educação, Fernando Haddad, não tem folga. À parte de seus compromissos com as prévias do PT para disputar a prefeitura de São Paulo na eleição do ano que vem, em qualquer evento que compareça, ele é sabatinado, muitas vezes sem grande cortesia, pelos insatisfeitos com os rumos da educação no Brasil. Há uma ansiedade, misto de dúvida e insegurança, sobre a aprovação do Pronatec.

Afinal, chegou a vez dos investimentos em educação serem privilegiados com benefícios fiscais, como já acontece com cultura, esporte e várias áreas da indústria? O Pronatec, promessa de governo da presidente Dilma Rousseff, que foi aprovado em sessão simbólica na Câmara no começo de setembro, deve ser a resposta para esta pergunta.

O projeto prevê oferta de bolsas para estudantes, expansão da rede pública e financiamento da rede privada. Inicialmente, fala-se em recursos da ordem de R$ 2 bilhões. E não é só isso. O Pronatec cria uma linha de financiamento de longo prazo, com juros de 3,4% ao ano, nos mesmos moldes do Financiamento Estudantil (Fies), voltado para a capacitação. E ainda "elimina qualquer encargo trabalhista e previdenciário sobre os investimento em educação", afirma Haddad.

O projeto foi apresentado dia 4 de janeiro em regime de urgência, mas ainda não foi aprovado pelo Senado. "Precisamos agilizar para votar ainda nesse ano." Mas as críticas quanto às indefinições do programa são grandes e já criam uma rivalidade na disputa pelos recursos. "Será uma frustração para o sistema industrial se ele (Pronatec) não for aprovado neste mês. Estamos preparados para abrir mais de 200 mil matrículas ainda neste ano", afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai Nacional, do Sistema Indústria.

"O programa não está sendo bem divulgado, nem bem explicado. Os empresários têm que saber o que essa carta de intenções significa na prática", afirma Fábio Pina, economista da Fecomercio. "O pleito da Fecomercio para que se privilegie o ensino técnico profissional frente ao superior já é antigo. Esperamos que as áreas de serviços e turismo, por exemplo, carentes de mão de obra, sejam beneficiadas. Mas o setor industrial é sempre mais lembrado pela política", ressalta Pina.

“O Pronatec não é a única ação do governo para ampliar a capacitação. Em dez anos, nós triplicamos o número de pessoas formadas em universidades no Brasil. Saímos de um pouco mais de 300 mil para quase 1 milhão ao ano", diz Haddad. O número de técnicos formados também dobrou. "Foram feitas 140 escolas técnicas em um século. O Lula entregou 214 em oito anos. Dilma vai lançar outras 208 em quatro anos", diz o ministro. Mas do lado das empresas, a emergência de formação tem um peso elevado. Os investimentos em capacitação chegam a 8% do faturamento, especialmente nas auditorias, explica Fernando Trevisan, diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios.

"Vemos uma movimentação do governo para conceder subsídio para linha branca, veículos, mas nada que afete a educação." De acordo com Armando Lourenzo, diretor da Universidade Corporativa da Ernst & Young Terco, a consultoria gasta 5% de sua receita com capacitação, que é voltada para atender estratégias da empresa e resolver gargalos de formação. No Brasil, são investidos 103 horas/ano de cada profissional. Nos EUA, a média é 42 horas/ano. "Não temos outra alternativa", diz Lourenzo.

*Reportagem de Regiane de Oliveira e Priscilla Arroyo

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