quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Primeiro emprego: Jovens vencem barreiras e investem em uma profissão


Kézia Lopes, 20 anos, mãe de Luiza, com apenas três meses de vida, integra a turma de aprendizes que recebeu certificado de eletricista instalador predial de baixa tensão, na sexta (26/8), do Senai do Amazonas. A nova eletricista lembra que durante a gravidez conseguiu quebrar barreira do preconceito, com plena condição de estudar e trabalhar dignamente. “Recebi apoio da instituição que me proporcionou o aprendizado.

Agora dedico este certificado à minha filha, prometendo que darei continuidade à formação profissional até alcançar o nível superior em engenharia elétrica.” Se formaram junto com Kézia, neste ano, 739 aprendizes. Os jovens estudaram em três unidades da organização, desde 2010, cumprindo 1.600 horas/aula, metade no Senai e o restante em empresas conveniadas.

Kézia, com a pequena Luiza, pensa grande: o futuro é a faculdade de engenharia elétrica – Foto Senai-AM
Kézia, com a pequena Luiza, pensa grande: o futuro é a faculdade de engenharia elétrica – Foto Senai-AM
Mãe do formando Cesar Santos, 16 anos, Elane Santos estava feliz com a decisão tomada no ano passado de sair de Porto Velho para ampliar as possibilidades de estudos do filho, agora operador de linha de montagem para a indústria eletroeletrônica.

Desde que voltou para Manaus, Elane incentiva Cesar a apostar na qualificação profissional, com estágio na maior empresa do Polo de Duas Rodas da capital amazonense.


Cesar opera na linha de montagem da Honda como menor aprendiz. Entra às 7h15 e sai às 11h15, interagindo com sete operadores. “O curso de aprendizagem me ajudará a entrar na indústria que muitos gostariam de trabalhar. Agora tenho condições de mostrar o meu comprometimento nos estudos e no trabalho para quando terminar o prazo de aprendiz ser contratado."

Experiência marcante também foi para a irmã Liliana Daou, responsável por seis formandas da Casa Mamãe Margarida. As alunas participaram do curso de aprendizagem em Assistente Administrativo. “É um programa de dimensão muito grande que leva a proposta de formar o jovem e apresentá-lo à indústria como um aprendiz. Nesta perspectiva, tanto o aluno quanto a empresa ganham, pois se trata da capacitação dos novos trabalhadores que atenderá as carências do mercado de trabalho”, avaliou a irmã Liliana.

Atualmente a Casa Mamãe Margarida atende 350 crianças e adolescentes em regime de abrigo e meio aberto. Todas as meninas que chegam passam por situações de risco pessoal e social. A irmã Liliana ressalta que o programa de aprendizagem do Senai não atende número maior de abrigadas por conta da escolaridade exigida nos cursos quanto ao ensino médio incompleto, mas que é a segunda turma de meninas da Casa que são beneficiadas pelo Senai. "Tenho o privilégio de atuar no setor de Recursos Humanos da Petrobras, graças ao curso de auxiliar administrativo do Senai. Minha formação me fará conquistar um emprego decente para me manter, pois neste ano completo 18 anos, idade máxima para as abrigadas da Casa Mamãe Margarida. Agora é só se esforçar para firmar todos os conceitos aprendidos”, destacou a aluna Ana Gleyce Correa.

Os jovens participaram de uma das 16 ocupações de aprendizagem oferecidas no Senai-AM, nas áreas de refrigeração e climatização, informática, eletroeletrônica, administração industrial, eletricidade, construção civil, automotiva, plástico, usinagem e solda. “A aprendizagem é uma das modalidades mais importantes ministradas pelo Senai, em virtude do papel de formar jovens entre 14 a 24 anos nos segmentos produtivos do Polo Industrial de Manaus”, disse Ivana Ayrton, gerente de uma das escolas da organização. Segundo ela, os adolescentes que estão nesta faixa etária tendem a ter uma vida ociosa, sem muitas perspectivas de futuro.

De acordo com Ivana, as fábricas do Polo aproveitam quase 100% dos aprendizes do Senai, pois mesmo com pouca idade são qualificados como profissionais e com todas as responsabilidades de segurança e técnica de um industriário.

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