quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ensino articulado em Santa Catarina: Esporte e formação profissional auxiliam jovem a superar barreiras da deficiência visual


Luan Martins, 17 anos, como grande parte dos adolescentes de sua idade é um apaixonado por jogos de computador. Seus desafios extrapolam as jogadas e, com alguns amigos, já pensa em criar os próprios games. Ele quer ser programador de computador e desenvolvedor de jogos e, para isso, estuda informática. Com baixa visão (precisa de óculos de 12 e 13 graus), Luan enfrenta maiores obstáculos, mas a educação profissional é um meio para ampliar sua inserção social. Outro caminho é o esporte, que o levará a São Paulo, ainda neste mês, aos Jogos Escolares Paradesportivos Brasileiros, nos quais representará Santa Catarina na modalidade de judô.

Luan quer programar computadores e desenvolver games – Foto Senai-SMO
Luan quer programar computadores e desenvolver games – Foto Senai-SMO
Esta será a primeira grande competição de Luan, que pratica judô há cinco anos. "É uma atividade mais fácil para fazer, mesmo sem enxergar seu oponente, e ajuda a desenvolver sua condição física". Ele lembra que ficou cativado. "Pesquisei sobre várias artes marciais e acabei gostando da ideologia do judô, que é apenas defesa pessoal, respeito ao oponente, não é só força, mas também saber o que está fazendo durante o golpe".

Estudante do Ensino Médio Articulado com a Educação Profissional do Senai em São Miguel do Oeste, Luan tem se desdobrado para obter a melhor preparação. Como as aulas são em período integral, ele faz a preparação em horários alternativos. Ele conta com o apoio da prefeitura local e da academia Performance.

A conquista de medalhas ou de competências profissionais são desafios que Luan quer superar para se integrar por completo à sociedade. "Eu vejo como se fosse só mais uma etapa para superar os obstáculos no nosso caminho e temos que passar por eles e conseguir o melhor".

A discriminação é o grande obstáculo das pessoas com deficiência, no entendimento do jovem. Mas o preconceito não se revela apenas em manifestações pejorativas ou ofensivas. "Não é só quando falam mal que as pessoas sentem-se mal, mas quando não conseguem fazer o que desejam.

Não poder fazer o que os outros fazem, para muitos é a pior forma de deficiência". Ele cita como exemplos as barreiras para a locomoção, falta de rampas ou portas de vidro sem uma sinalização adequada.

Em Santa Catarina, o Senai criou seu próprio programa que articula o ensino médio com a educação profissional, que é oferecido em 14 cidades. Os conteúdos são de educação propedêutica com a formação técnica - por exemplo, na mesma época em que estudam programação nas aulas de informática, os alunos desenvolvem conteúdos de lógica nas aulas de matemática. Assim, uma formação complementa a outra e o aprendizado é consolidado. Como realizam dois cursos simultaneamente, os alunos saem aptos a prosseguir na formação superior e em prontos para ingressar no mercado de trabalho, já com uma capacitação de nível técnico.

No primeiro ano do ensino médio, quando ainda não podem realizar o curso técnico, os alunos participam das disciplinas regulares do ensino médio num período e no outro podem frequentar disciplinas de iniciação profissional. Nesse período, além de ter um primeiro contato com o mundo do trabalho, os jovens têm a oportunidade de conhecer melhor as opções de carreira e escolher que curso técnico fazer. Os estudantes também podem utilizar o portal VestibaNet, ferramenta on-line, pela qual são oferecidos conteúdos e exercícios específicos para o vestibular, com acompanhamento de professores.

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