sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Edital de Inovação 2011: Empresa aposta em projeto inovador para reciclar lixo tecnológico


A humanidade descarta anualmente de 20 a 50 milhões de toneladas de lixo tecnológico, mas apenas de 10 a 18 milhões de toneladas desses resíduos são recicladas. Pensando no Brasil, a realidade é ainda pior: não existe tecnologia nacional para fazer o total reaproveitamento. Também faltam esclarecimentos da população sobre o tema e empresas especializadas na reciclagem. A Dioxil é a única que presta o serviço em Brasília, há dois anos. Para tornar seu negócio mais lucrativo, a empresa vai desenvolver tecnologia de manufatura reversa para reaproveitamento dos resíduos eletroeletrônicos, com recursos do Edital Senai Sesi de Inovação 2011.

O projeto prevê uma inovação de processo inédita no país, baseada na implantação de processos químicos, de maquinário e de reestruturação da linha de produção. As mudanças vão possibilitar o aproveitamento de materiais que não podem ser extraídos com a tecnologia atual, como o silício e metais nobres presentes nos circuitos eletrônicos. As partes plásticas dos equipamentos também serão recicladas.

Orçado em R$ 808 mil (incluindo as contrapartidas), o projeto vai viabilizar a reciclagem de 200 quilos de circuito impresso (placas-mãe, processadores e memórias) e 150 quilos de polímeros por dia. Durante o desenvolvimento do projeto, está estimado o processamento de mais de 2 mil toneladas. Mas, segundo João Batista, diretor-presidente da Dioxil, a meta é chegar a uma tonelada por dia quando o processo estiver em plena operação.

"Sem a tecnologia, a empresa permaneceria apenas como repassadora de matéria-prima. Com a venda de produto qualificado, conseguiremos faturar cinco vezes o investimento total", vibra o empresário. O momento é oportuno. Com a nova legislação nacional sobre Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) em vigor, os resíduos eletroeletrônicos deverão ser classificados de acordo com normas específicas. Ou seja, não poderão mais ser descartados juntamente com o resíduo doméstico.

O trabalho proposto pela Dioxil conta ainda com inovação social. Os catadores da cooperativa 100 Dimensão, que hoje fornece os resíduos para a empresa, passarão por capacitação para a coleta, triagem e armazenamento de outros tipos de resíduos sólidos. Atualmente, 180 famílias são beneficiadas pela atividade e esse número deve subir para 400 quando o projeto for implantado. "Passaremos a pagar a cooperativa após a venda do produto reprocessado, aumentando assim os valores. Daremos 30% do lucro obtido pela Dioxil", revela Batista. "A nova tecnologia aumentará nossa produtividade e criará empregos. Todo mundo sairá beneficiado".

O projeto da Dioxil ainda nem começou e já rendeu frutos. A indústria conseguiu fechar parceria com o movimento Limpa Brasil, que estimula a limpeza das cidades pela população. Batista conta que o acordo só foi possível devido à credibilidade que o apoio do Senai e do Sesi conferiram à empresa. Para o agente de inovação do Senai do Distrito Federal, Jones Passos Aliendres, técnicos da organização vão participar do desenvolvimento da tecnologia durante todo o cronograma. Eles tanto oferecerão apoio tecnológico, como aprenderão com a Dioxil procedimentos que possam ser replicados em outras empresas.

Além dos benefícios econômicos e sociais da inovação proposta pelo projeto, Aliendres destaca a determinação e o aprendizado como itens determinantes para sua aprovação. "A Dioxil se inscreveu no edital de 2010, mas não conseguiu passar. Nem por isso parou. Continuou trabalhando no projeto ao longo do ano. Sempre tentamos disseminar que o período do edital não é só o lançamento. Nossa equipe está à disposição das empresas todo o tempo para ajustar as propostas e apenas submetê-las quando o edital abrir", aconselha o técnico.

Graças ao edital que o Senai e o Senai lançam anualmente, em 2011 98 projetos de empresas estão recebendo apoio de especialistas, suporte tecnológico e financiamento das duas organizações. Dos aprovados entre 399 propostas inscritas, 18 são do Rio Grande do Sul. Com o resultado, o estado mantém o maior índice de aproveitamento desde 2004, quando o primeiro edital foi lançado.

Os projetos são em parceria com 96 empresas do setor industrial que apresentaram propostas para o desenvolvimento de produtos, a melhoria de processos de produção ou para a criação de serviços que proporcionem qualidade de vida aos trabalhadores ou à comunidade onde a indústria está localizada.
A lista completa dos selecionados na 8ª edição do Edital Senai Sesi de Inovação pode ser conferida aqui. Fonte Notícias Protec

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