terça-feira, 23 de agosto de 2011

Do Notícias Protec: Senai revela ações pela qualidade do Edital de Inovação

O resultado do Edital Senai Sesi de Inovação 2011 veio acompanhado de dados que demonstram maior penetração nacional dos recursos disponibilizados, com aumento na participação das regiões Nordeste e Centro-Oeste. Em entrevista ao Notícias Protec, o gerente de Inovação Tecnológica do Senai Nacional, Marcelo Gaspar (foto), ainda chama a atenção da qualidade das propostas.

Na edição anterior, a pontuação mínima para aprovação era de 600 em mil. Este ano, passou para 725 pontos. Os avanços vêm no rastro da reestruturação dos processos de gestão da inovação no Senai, da maior mobilização de seus regionais e da participação de grandes corporações no edital – o que, garante Gaspar, não desvirtua o propósito da seleção em focar nas micro, pequenas e médias empresas.

O número de propostas apresentadas superou em 15% o de 2010. O que explica o aumento do interesse pelo edital?
O perfil do edital evoluiu principalmente em dois aspectos: o aporte financeiro aumentou 50% em relação ao ano passado e a taxa de sucesso dos projetos, ou seja, de incorporação do mercado, está na ordem de 35%, como comprovou o levantamento feito pelo Senai com a ajuda da Protec e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Esses fatores levaram as empresas a buscarem maior participação. Em alguns estados, elas procuraram o Senai antes mesmo de sair o edital.

Os recursos adicionais vão contemplar um maior número de empresas, em vez de aumentar o valor por projeto. Por que o Senai fez esta opção?
Aumentar o valor mínimo dos projetos sairia de nossa dinâmica de apoiar propostas de baixo custo, mas que promovem impacto significativo para a empresa. Nosso caso é diferente de outros editais, que exigem piso maior por estarem trabalhando na fronteira do conhecimento. O Edital Senai Sesi incentiva a inovação no produto ou no processo com o qual a empresa já trabalha. Não é nada de ruptura e sim incremental.

Este ano, o resultado do edital obteve maior abrangência geográfica, descentralizando os projetos das regiões Sul e Sudeste. O que mudou?
O edital sempre atendeu a todos os estados e ao Distrito Federal, dependendo da qualidade das propostas apresentadas. A mudança é que, agora, estamos com projetos estruturantes que começam a mostrar resultados. Em 2009, fizemos um diagnóstico do grau de maturidade do Senai para gerir e desenvolver inovação. Esta ação serviu para mobilizar departamentos regionais que tradicionalmente não participavam do edital. Eles perceberam essa possibilidade e passaram a submeter projetos, tendo maior participação no resultado final.

Que necessidades de melhoria o diagnóstico de 2009 apontou para o Senai?
Fizemos uma radiografia de cada unidade da federação para apoiar desenvolvimento da indústria local. Verificamos a capacitação de pessoal, as estratégias dos regionais em relação às empresas para desenvolver projetos, como cada unidade está estruturada para gerir os projetos, como se encontra o ambiente para pesquisa e desenvolvimento (P&D). Notamos que precisávamos nos organizar melhor em alguns aspectos para dar respostas mais efetivas e potencializar os resultados que já obtivemos até agora. Por exemplo, não tínhamos um cadastro de especialistas para realizar inovação aberta. Já começamos a desenhar isso.

Com base no diagnóstico, estamos construindo um modelo de gestão da inovação nos regionais. Também estamos delineando uma política de gestão do conhecimento do Senai e lançando um projeto piloto em cinco centros de tecnologia, experimentando práticas de inovação para melhorar o desempenho. Todo esse trabalho irá até meados de 2012.

Os setores mais contemplados pelo edital de 2011 foram os de metalmecânico e de alimentos e bebidas, seguidos dos de polímeros e de química. Existe uma demanda reprimida nessas áreas?
Percebo que o Senai tem tradição nessas áreas, dispondo das melhores infraestruturas laboratoriais e de pessoal. Inclusive o diagnóstico apontou isso. O setor de Alimentos e bebidas tem a melhor estrutura de mestres e doutores. A tendência dessas pessoas é escrever bons projetos, junto com as empresas. Uma vez me perguntaram se o setor de alimentos seria o mais inovador. Não sei dizer, mas posso afirmar que o Senai está mais estruturado no segmento.

A reformulação em andamento prevê, então, capacitação de pessoal em outras áreas?
Sim, estamos analisando isso.

Como o senhor avalia a qualidade dos projetos submetidos em 2011? Foi difícil selecionar 98 propostas de quase 400 apresentadas?
Foi muito difícil. O nível aumentou muito. A linha de corte no ano passado foi de 600 pontos em mil. Este ano, passamos para 725 pontos – um reflexo do trabalho de reestruturação que o Senai está fazendo e da participação de empresas de grande porte, que têm áreas de P&D bem organizadas. 

Excluindo este grupo, vemos nitidamente que as demais empresas melhoraram os projetos de um ano para o outro, devido ao acompanhamento dos regionais. Temos o procedimento de devolver a avaliação dos resultados. Então, se o candidato foi fraco no estudo de mercado, por exemplo, vai ver sua baixa pontuação nesse quesito. O regional vai trabalhar junto com a empresa nesse ponto para melhorar no ano seguinte.

O aumento da participação das grandes empresas no edital tira o espaço das pequenas, menos estruturadas para desenvolver projetos?
Não, porque mantivemos como fator de corte um valor mínimo baixo para os projetos. No tamanho do aporte financeiro, o edital condiciona o atendimento a micro, pequenas e médias empresas. As grandes optam apenas por projetos de menor custo ou direcionados para uma fase específica do desenvolvimento que ficou faltando para levar o produto ao mercado.

Para elas, o que o edital agrega são os laboratórios que o Senai regional oferece, pois seus projetos de maior impacto partem de R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões (o teto do edital são R$ 300 mil por projeto feito com o Senai e R$ 400 mil por projeto juntamente com Senai e Sesi). Também são fundamentais as bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que nos permite trazer para o projeto profissionais que as empresas não têm, nem mesmo as grandes.

Em breve, começará a etapa de execução dos projetos. Que orientação o senhor oferece para os empresários fazerem uma boa gestão e cumprirem o cronograma?
Sempre digo para eles pensarem grande, mas que, na execução, precisam mesmo é andar rápido. A área de inovação é dinâmica. Independentemente de qualquer cronograma, quanto mais veloz a empresa for na implantação de sua ideia, mais chances terá de encontrar o cenário favorável para colocar seu produto ou processo no mercado. Temos casos em que o empresário cochilou e seu projeto ficou para trás. Agilidade é fundamental.
Clique aqui para ver a lista completa dos projetos selecionados na oitava edição do Edital Inovação – Foto Massao Goto/e-SIM

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