quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Combate à exploração sexual: ViraVida fecha parcerias para levar o projeto ao exterior

As parcerias firmadas pelo projeto ViraVida, iniciativa do Conselho Nacional do Sesi, já ultrapassam fronteiras. Depois da Espanha e de Portugal, agora a França abraça o projeto e entra na discussão sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.

Na última semana de julho, o presidente do Conselho, Jair Meneguelli, se reuniu com representantes do movimento sindical, de organizações não-governamentais e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além do embaixador brasileiro na França, José Maurício Bustani. Os encontros também contaram com o apoio e a participação do secretário de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Expedito Solaney de Magalhães, e do diretor da Força Sindical, Rogério Aquino.

As reuniões tiveram dois objetivos: criar oportunidades de emprego nas empresas com filiais no Brasil para os jovens capacitados pelo projeto e colocar o tema da violência sexual contra a criança e o adolescente na pauta de discussão dos sindicatos de trabalhadores. Durante a missão, Conselho, CUT e Força Sindical discutiram ações conjuntas com as ONGs Moviment Du Nid e Scelles, ligadas ao tema da proteção aos direitos da infância e da juventude, e também com as centrais sindicais Force Ouvrière, Confederátion Générable du Travail (CGT) e Confédération Française Démocratique du Travail (CFDT).

“Esse é um tema que precisa entrar na pauta da classe trabalhadora e do empresariado. Enquanto a sociedade não estiver unida, milhares de crianças e jovens continuarão sem infância”, afirmou Meneguelli. Na avaliação dele, os resultados da missão brasileira superaram as expectativas. “Todas as centrais se comprometeram com alguma contribuição. Seja sensibilizando os trabalhadores franceses que vêm para o Brasil, seja fazendo contatos com empresas para garantir empregos aos jovens beneficiados pelo ViraVida”, acrescentou.

Rogério Aquino, disse que a entidade e a CUT - duas das maiores centrais sindicais do Brasil - assinaram termo de cooperação com o Sesi. “Nós, trabalhadores, apoiamos o projeto e acreditamos que podemos contribuir para a erradicação da exploração sexual”, disse. O secretário da CUT destacou a necessidade prevenir o Turismo Sexual. “O Brasil é a oitava economia do mundo, mas ainda tem problemas sérios na área social, como o trabalho infantil e a exploração sexual. Precisamos sensibilizar os trabalhadores brasileiros e europeus para conhecer o Brasil de uma forma sustentável, praticando o Turismo Social”.

De acordo com a Pesquisa Nacional sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual no Brasil (Violes/2002), 32% dos aliciadores identificados são estrangeiros provenientes da Espanha, Portugal, Holanda, Venezuela, Paraguai, Alemanha, França, Itália, China, Israel, Bélgica, Polônia, Estados Unidos e Suíça.

O embaixador Bustani se mostrou preocupado com a imagem que os turistas franceses podem fazer do Brasil. Ele se comprometeu a conversar com o cônsul-geral do Brasil sobre o tema e analisar quais ações serão realizadas junto às agências de viagem que vendem pacotes para o país, no sentido de prevenir a exploração sexual. “É um programa magnífico, que sensibiliza a todos. O nosso apoio é certo”.

Além do apoio à empregabilidade, o coordenador do Departamento Internacional da CGT, Jean Michel Joubier, disse que o projeto foi um incentivo à confederação para dar continuidade às iniciativas de Turismo Social. “Temos grande preocupação com o um turismo ético, sustentável. Vamos discutir como podemos sensibilizar os trabalhadores franceses que viajam para o Brasil”.

Segundo a OIT, a exploração sexual é a pior forma de trabalho infantil. O diretor da entidade na França, Jean François Trogrlic, garantiu que será o interlocutor do ViraVida no país. “Vamos ajudar. Tenho contato com as áreas de responsabilidade social de muitas empresas francesas. Vou apresentar o projeto a elas e pedir emprego para os jovens beneficiados”.

Outro resultado da missão será a assinatura do Termo de Compromisso Contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A previsão é que o documento seja assinado no próximo ano, e conte com a participação de entidades governamentais, organismos patrimoniais, empresas e trabalhadores. A ideia é desenvolver ações específicas de enfrentamento, como uma publicação sobre o tema e a criação de um código de conduta, a ser adotado por empresas e sindicatos, nos idiomas francês e português.

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