sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Bioenergia: Feira internacional traz inovações em biocombustíveis

Máquina trituradora de madeira, ônibus movido a biocombustível e a etanol, eletrolizador que separa o oxigênio do hidrogênio da água e uma matriz peletizadora que transforma a biomassa em pellets combustíveis são algumas das novidades apresentadas na Biotech Fair 2011 – 4º Feira Internacional de Tecnologia em Bioenergia e Biocombustível, que ocorre até nesta sexta (19/8), em Curitiba.

Evento paralelo ao VI Congresso Internacional de Bioenergia, a feira reúne 50 expositores, entre empresas de tecnologias na produção de energia renovável, universidades, organizações e órgãos públicos. O ônibus movido a biocombustível 100% à base de soja e recentemente introduzido no transporte público de Curitiba é uma das atrações da feira. Com capacidade para 250 passageiros, os ligeirões biarticulados consumirão cerca de 55 mil litros/mês de biocombustível.

A Scania trouxe para a feira um ônibus movido a etanol. A tecnologia existe há mais de 20 anos na Suécia, mas essa é a primeira experiência do gênero no Brasil. “O projeto começou em 2007 e, em 2010 chegaram ao transporte coletivo de São Paulo 60 unidades . Por ser movido a etanol, o ônibus é menos poluente”, explica o gerente de Negócios da Unidade de Negócios Brasil, João Paulo Dionelo. Para ele, os ganhos ambientais compensam os custos maiores com combustível. “Qualquer alternativa diferente do diesel vai ter um custo maior para a empresa”.


Uma das máquinas que mais chama a atenção dos participantes é o triturador primário da Siebert (foto), empresa de Curitiba que representa a marca alemã de máquinas Hammel. Em segundos, a máquina é capaz de triturar e homogeneizar resíduos, desde madeira, metal, pneus e até um carro. “Essa máquina é muito utilizada por empresas da área florestal e de construção civil, que diminuem e compactam seus resíduos e os aproveitam para a geração de energia através da queima em caldeiras”, explicou o diretor da empresa, Udo Siebert.

Diversos expositores estão apresentando tecnologias e soluções para o reaproveitamento de resíduos. Uma delas é a peletização, que transforma a biomassa sólida em um combustível em forma de pellets (pequenos grãos), que possui alto poder calorífico e é fácil de ser transportado e armazenado.

“Os resíduos de serragem e madeira são colocados na matriz peletizadora que, ao girar em alta velocidade, granula o material e o transforma em pequenos pellets”, disse Márcio Mattos, gerente de vendas da Andritz, de Curitiba. “Além de ser uma tecnologia barata, reduzimos o problema do passivo ambiental e não geramos poluente”, disse.

Uma bicicleta pode se transformar em uma moto com a utilização de hidrogênio para gerar energia. Essa é a proposta da Neshy, empresa de Campo Largo que trabalha com a aplicação do hidrogênio como vetor energético. “O eletrolizador faz a eletrólise da água e separa o oxigênio do hidrogênio. O hidrogênio é armazenado e transferido para uma célula combustível que gera energia elétrica, que pode ser utilizada em residências e indústrias”, explicou Giovani Gaspar, gerente da empresa. A energia gerada por meio do hidrogênio é totalmente limpa, visto que o único resíduo gerado após o processo é a água.
Foto Divulgação



Pesquisadores e empresas com foco em energia
Os Observatórios Sesi, Senai e IEL do Paraná realizam nesta semana (17 e 18/8) a II Rodada de Negócios Tecnológica – Universidade x Empresa. Na mesa ofertas e demandas de empresas, universidades ou centros de pesquisas na área de bioenergia. Com formato inovador, a rodada atraiu 30 empresas para conhecerem estudos de 105 pesquisadores de todo o país. No primeiro dia, diversas parcerias foram viabilizadas. As conversações ocorreram paralelamente a programação do 6º Congresso Internacional de Bioenergia, no Cietep.

Para o pesquisador do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Anderson Sakuma, a Rodada no formato proposto pelos seus organizadores quebrou um paradigma, em que os pesquisadores, normalmente, ficam estacionados em suas bases e longe das empresas, palco onde o resultado dos estudos deveria ser aplicado. “O pesquisador ainda é visto como uma pessoa apenas teórica. E não dá mais para pesquisar e não aplicar. A sociedade precisa da aplicação prática para se desenvolver. Por isso é importante aproximar a indústria da academia”, ressalta.

Do outro lado, o setor produtivo está cada vez mais ciente de que precisa inovar para crescer de forma sustentável. Para o diretor da empresa espanhola Abengoa Bioenergia, André Válio, a atuação no Brasil está diretamente ligada a busca de energias renováveis, e esse encontro com pesquisadores amplia essa busca. “Nós participamos de seis rodadas e muitos dos estudos apresentados nos pareceram viáveis e com grande possibilidade de implantação pela empresa”.

A Rodada de Negócios deste ano surpreenderam os organizadores. “Percebemos que empresários e pesquisadores chegaram aqui com muitas dúvidas em relação a esta aproximação, mas em poucos minutos de conversas eles descobriram o quão importante esse encontro pode ser para o desenvolvimento de seus negócios e para a evolução das pesquisas”, destaca especialista dos Observatórios, Ariane Hinça.

Para o superintendente de energias renováveis da Copel, Francisco Alves de Oliveira, esta iniciativa do Sistema Fiep deve ser aprendida e replicada em outras áreas do setor produtivo. “Sem dúvidas, foi uma oportunidade única para o empresário ficar por dentro do que os centros de pesquisas estão desenvolvendo. É a forma mais rápida e barata de inovar. Todas as ideias apresentadas aqui são inovadoras e têm grande potencial de aplicação”.

Este cenário também foi percebido por Janete Tomelin, gerente de negócios estratégicos da empresa Bicarbras, integrante do Grupo Hübner. “Um dos focos da nossa empresa é a área de gaseificação de madeira para solução em bioenergia. Aqui descobrimos que já existem pesquisas avançadas neste segmento”. Janete ainda chama a atenção para um outro problema enfrentado pelos empresários: “muitas vezes nós importamos tecnologia que já existe no Brasil por falta de conhecimento e divulgação das pesquisas realizadas aqui”.

Outro destaque da Rodada foi o grande número de pedidos por parte de pesquisadores e empresários para que o Sistema Fiep continue acompanhando as parcerias viabilizadas no evento. “Eles perceberam que a Fiep tem equipes de especialistas em diversas áreas e que podem ajudar em outras frentes além de P&D&I. Uma das áreas mais cobiçadas é a de recursos para a inovação, em que o Centro Internacional de Inovação (C2i) da Fiep auxilia o setor produtivo na preparação, captação e aplicação de recursos públicos e privados para as empresas inovarem."

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