sexta-feira, 1 de julho de 2011

Oportunidades muito especiais*: Construtoras estão se adaptando para receber profissionais com necessidades especiais

A taxa de desemprego entre os deficientes físicos no Brasil equivale ao triplo da relativa às pessoas sem nenhum tipo de deficiência. O IBGE contabiliza 24,6 milhões de brasileiros com alguma deficiência; contudo, apenas 1,25% deles está empregado. Apesar desse quadro, o Ministério do Trabalho e Emprego informa que 143 mil deficientes ingressaram no mercado de trabalho formal entre 2005 e 2010.

O Senai do Distrito Federal é uma das entidades que trabalham com a inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho da construção civil. Totalmente gratuitos, os cursos terão início em agosto e serão ministrados nas unidades de Taguatinga e do Guará. Com carga horária de 300 horas, divididas em três meses, as turmas iniciais formarão profissionais nas especialidades de eletricista predial, assentador de revestimento cerâmico e apontador/almoxarife.

Ana Luzia Brito (foto), diretora de tecnologia e formação profissional do Senai-DF, explica a política de contratação e aproveitamento desses profissionais após concluído o curso. “Dentro da sistemática operacional prevista para o desenvolvimento desses cursos, os candidatos serão contratados pela empresa em caráter experimental por três meses”, explica. Ao todo, são 200 horas na escola do Senai de Taguatinga e 100 horas na empresa, já no posto de trabalho.

A diretora acredita que a metodologia adotada pelo Senai é adequada à inclusão. “Trabalhamos com situações reais simuladas, que aumentam a capacitação e a confiança dos alunos. O convívio com o contexto real traz experiência. Nós chamamos de ‘aprender a fazer fazendo’”, completa a diretora. As turmas são montadas com no máximo 15 alunos, visando a um maior aproveitamento do conteúdo e um tempo maior para que haja a troca de ideias.

Ana Luzia lembra o Pacto Coletivo para Inclusão de Pessoas com Deficiência, citado na Lei Federal nº 8.213/91. No Distrito Federal participam o Senai, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF), a Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal (Corde-DF), o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (STICMB), a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no DF (SRTE-DF) e o Clube de Engenharia da Brasília (Cenb).

Segundo Ana Luzia, o cenário da inclusão evolui bem após o pacto, firmado no fim de 2010. “Não só em nível de DF, mas nacionalmente falando. As resoluções do pacto mostram claramente o empenho de contribuir para a inclusão e, de fato, promovê-la”, conclui. Porém, a diretora explica que nem sempre os portadores de necessidades especiais querem trocar o benefício que recebem pelo salário correspondente à função.

O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC-Loas) é integrante do Sistema Único da Assistência Social (SUAS). É pago pelo governo federal, operacionalizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e assegurado por lei, que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às condições mínimas de uma vida digna.

Para terem acesso ao benefício, os deficientes precisam comprovar que a renda mensal do grupo familiar per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo, além de serem avaliados pelo INSS quanto à incapacitação para a vida independente e para o trabalho.
*Clique aqui para ler a reportagem de Daniel Guerra para o Jornal da Comunidade. Foto André Zimmerer

Nenhum comentário:

Postar um comentário