segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pesquisa e tecnologia na indústria: Empresa de inovação deve funcionar já no segundo semestre

O presidente do Sistema Indústria, Robson Braga de Andrade, anunciou na sexta (17/6), que o setor tem pressa na constituição do novo organismo de pesquisa e inovação tecnológica. “No segundo semestre tem de estar funcionando, porque temos um sentido de urgência muito grande. Essas ações têm de ser imediatas.” Segundo ele, a constituição de uma organização nos moldes da Embrapa, deverá ter capital privado. “O investimento não é muito grande, é palatável para o setor. Talvez seja uma empresa criada com capital entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões”, afirmou Andrade, ao final da reunião da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), no escritório da CNI em São Paulo, que teve a presença de cerca de 80 empresários e o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Segundo o ministro, a empresa não será criada do nada. “Ela aproveitará os laboratórios e centros de apoio tecnológico do Senai e outros”. Lembrou que seu ministério reconhece centros do Senai como de excelência pelo alto desempenho. O novo organismo, que deverá ser um parcerio entre o governo e o setor privado, vai dar suporte às pequenas e médias empresas para que tenham a inovação como estratégia de desenvolvimento de negócios. A “Embrapi”, como tem sido chamada (ainda não há nome oficial), direcionará os recursos para inovação.

“O importante é que ela tenha a capacidade de fazer gestão de fundos setoriais e privados que estejam interessados no investimento em empresas inovadoras. Esses fundos teriam valores muito mais elevados do que o aporte inicial”, completou o presidente da CNI. Ele acredita que governo participe do planejamento dos investimentos. "Podemos ter uma espécie de golden share para o governo, para colocar a visão do Estado em questões fundamentais de política de desenvolvimento e ter a participação da iniciativa privada”, disse.

Robson Andrade e Aloizio Mercadante no encontro da MEI em São Paulo – Foto Marcos Ribolli
Robson Andrade e Aloizio Mercadante no encontro da MEI em São Paulo – Foto Marcos Ribolli


Mercadante antecipou que o a iniciativa privada terá mais participantes na gestão, mas o governo exercerá poder de veto. O ministro revelou ainda que a empresa de pesquisa e inovação tecnológica da indústria deverá firmar parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, um dos maiores centros tecnológicos do mundo e que já mantém parceria com o Senai.

A MEI é um programa coordenado pela CNI para duplicar o número de empresas inovadoras no país, que era de pouco mais de 40 mil em 2008, último dado oficial disponível. Desde sua criação, há três anos, a MEI tem realizado interlocução mais rápida e fácil entre empresas e governo.

Andrade apoiou a intenção do governo, expressa pelo ministro Mercadante, de condicionar eventuais incentivos fiscais para inovação e também para a produção na indústria à nacionalização de conteúdo. “É uma visão de que, se a União coloca recursos de incentivos, sejam fiscais, tributários ou de crédito, no desenvolvimento de setores produtivos, é preciso que esses setores estejam também comprometidos com a geração de emprego, de renda e de investimentos no país. É um caminho correto e que no mundo inteiro é adotado."

Falta de profissionais adia instalação de empresa chinesa no Brasil
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou na sexta (17/6) que a empresa chinesa Foxconn adiou de julho para setembro o início de suas atividades no Brasil. Segundo Mercadante, problemas com o recrutamento de engenheiros e com obras viárias em Jundiaí, interior de São Paulo, acabaram atrasando o cronograma de instalação de uma fábrica da empresa no país. A chegada da Foxconn ao Brasil foi anunciada pela presidenta Dilma Rousseff durante sua viagem à China, em abril. A unidade da empresa deve produzir telas para celulares de terceira geração e para os chamados tablets (computadores em forma de prancheta).

Mercadante disse que a Foxconn teve dificuldades no processo de seleção de engenheiros que trabalharão na sua fábrica. A empresa já contratou 175 profissionais e os enviou para um treinamento na China. Porém, ainda precisa contratar mais 200. “Eles se atrasaram em selecionar”, afirmou ele. “Nós temos um problema de escassez de mão de obra em algumas áreas”.

Mercadante ressaltou, entretanto, que a Foxconn é apenas uma das empresas que pretende produzir tablets no Brasil. Segundo ele, oito empresas já têm planos de produzir os equipamentos no país, já contando com o incentivo fiscal anunciado pelo governo federal em maio. O ministro disse que os incentivos reduzem em 31% a carga tributária dos tablets vendidos no país. Para obter a isenção, os produtos devem ter, no mínimo, 20% de seus componentes produzidos no Brasil.

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