quarta-feira, 1 de junho de 2011

102 anos de Educação profissional: Senado e organizações debatem importância da formação técnica para o país

O diretor de Educação e Tecnologia do Sistema Indústria, Rafael Lucchesi, que também é diretor-geral do Senai Nacional, alertou para a necessidade de se ampliar a rede de centros de Educação profissional no país e de se melhorar a sua qualidade de ensino. A advertência foi feita nesta segunda (30/5), na sessão especial do Senado em comemoração aos 102 anos da instalação das primeiras unidades de ensino profissionalizante no Brasil.

Rafael Lucchesi (direita) fala no Senado sobre a parceria do Senai no programa Pronatec – Foto Miguel Ângelo
Rafael Lucchesi (direita) fala no Senado sobre a parceria do Senai no programa Pronatec – Foto Miguel Ângelo

Autoridades e parlamentares discursaram sobre a importância da formação técnica para o país. “O Senai está ao lado do governo federal na agenda do Pronatec. Queremos colaborar para assegurar o desenvolvimento do país”, assegurou Lucchesi, referindo-se ao pacote de medidas recentemente lançado pela presidenta Dilma Rousseff para fortalecer a Educação profissional.

Em recente entrevista à Agência Brasil, Lucchesi avaliou que a formação dos jovens que serão atendidos pelo Pronatec precisará atender às demandas do mercado, que são dinâmicas. O programa foi lançado pela presidenta Dilma Rousseff com a meta de capacitar jovens do ensino médio e trabalhadores para atender às demandas do mercado. Novas escolas técnicas nas redes federal e estadual e bolsas de estudo em instituições privadas são algumas das estratégias para alcançar 8 milhões de vagas até 2014.

O Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac) será um dos parceiros do programa. Hoje responsável por boa parte da oferta de cursos técnicos e profissionalizantes do país, o sistema deverá ampliar a sua rede e aumentar o número de vagas gratuitas. Também deverá receber boa parte dos alunos do ensino médio beneficiados com a bolsa formação.

“A atuação do Senai é absolutamente focada na demanda. O Senai tem um histórico de atendimento e inclusive vem fazendo esse trabalho de observatório e perspectivas de mercado. É necessário atender às mudanças tecnológicas de cada área pensando previamente quais os novos requisitos formativos da força de trabalho”, apontou Lucchesi.

Na solenidade no Congresso, 34 estudantes dos cursos de Construções e Edificações e de Auxiliar Administrativo da Construção Civil do Senai de Taguatinga, no Distrito Federal, participaram do evento. Antes de se instalarem no plenário, conheceram um pouco da História brasileira em visita guiada pelo Congresso Nacional.

O docente do Senai em tecnologia de materiais, Samuel de Morais Barbosa, de 28 anos, destacou a importância dos cursos profissionalizantes para os jovens. “Tenho dez certificados na área da construção civil, todos do Senai. Fiz o primeiro curso em 2002 e não parei mais. E posso dizer que, quando você é um profissional com qualificação, nunca falta trabalho”, assegurou Barbosa, que participou da cerimônia no Senado.

Autor da proposta da sessão especial, o senador Paulo Paim (PT-RS) também é testemunho da importância da Educação profissional. “Graças ao ensino técnico aprendi tudo o que sei e estou aqui hoje”, afirmou, lembrando o curso de Tornearia Mecânica que fez no Senai do Rio Grande do Sul na adolescência. “Não adianta só formar advogados e administradores. Nós estamos precisando de técnicos.”

O marco da Educação profissional no país é a fundação dos 19 primeiros centros de Aprendizes e Artífices, em 1909, pelo então presidente da República, Nilo Peçanha. O presidente da Organização Internacional dos Técnicos (Oitec), Ricardo Nerbas, destacou na sessão do Senado que o momento de celebração é mais do que oportuno. “Estamos comemorando, além dos 102 anos, o ‘boom’ da formação técnica. Recentemente, esse segmento da Educação esteve esquecido. Mas, ainda bem, a discussão foi reativada. O Brasil necessita de técnicos.”

Também participaram da sessão os senadores Wilson Santiago (PMDB-PB), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Ângela Portela (PT-RR), Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e Cristovam Buarque (PDT-DF) e o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco.

Desde a sua criação, em 1942, o Senai já capacitou cerca de 52.700 milhões de alunos, em 28 áreas industriais. Com presença em todas as unidades da federação, a organização possui 471 unidades fixas, conjunto de unidades operacionais onde são ministrados cursos e programas em diferentes modalidades. Nelas também são oferecidos às indústrias serviços técnicos e tecnológicos.

Faculdade de Tecnologia Cimatec: centro de excelência em educação, pesquisa e soluções tecnológicas do Senai, instalado em Salvador – Foto Miguel Ângelo
Faculdade de Tecnologia Cimatec: centro de excelência em educação, pesquisa e soluções tecnológicas do Senai, instalado em Salvador – Foto Miguel Ângelo

Outras 326 unidades móveis levam a Educação profissional a regiões distantes dos centros produtores do país. São carretas, veículos e barco, todos equipados para oferecer programas de capacitação e ações voltadas para a empregabilidade e a geração de renda nas mais distantes localidades.

O Senai conta ainda com 55 postos de atendimento que estão localizados no interior do país. Dispõe também de 325 kits didáticos de Educação profissional, que funcionam como oficinas móveis em 25 diferentes ocupações. A Rede Senai de Educação a Distância conta com 220 cursos, em diversas modalidades.
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