terça-feira, 3 de maio de 2011

Inclusão profissional: Falta de educação básica dificulta inserção de deficientes nas indústrias

A falta de formação básica é um dos desafios para garantir a inclusão de deficientes no mercado de trabalho. O alerta é da coordenadora nacional do programa Psai, Loni Manica, que participou de recente audiência pública na Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência, do Senado, em Brasília.


“Precisamos pensar em soluções para atender o sistema de cotas e fazer com que a lei seja cumprida com a contratação de pessoas com condições que tenham o pré-requisito mínimo exigido pelo mercado de trabalho, que é a educação básica. Mas muitos não têm essa formação”, destacou Loni, que atua no Senai Nacional.

O Psai abre vagas em cursos de formação profissional a deficientes e a outros segmentos da sociedade que sofrem algum tipo de preconceito, como índios, negros, mulheres e idosos. O sistema de cotas foi estabelecido pela Lei 8.213, pela qual as empresas que têm cem ou mais funcionários devem preencher de 2% a 5% das vagas com trabalhadores especiais, pessoas que apresentam algum tipo de deficiência, que pode ser auditiva, visual, física, motora ou intelectual.

Apresentação do Psai por Loni Manica


Loni explica que as dificuldades para o cumprimento das cotas começam pelo baixo nível de escolaridade dos deficientes, porque faltam adaptações nas escolas de ensino básico e na inclusão, especialmente de pessoas com deficiência acima da idade escolar. “Não conseguimos qualificar essas pessoas porque elas não têm o ensino básico completo, que é o mínimo exigido para capacitação profissional. Precisamos elevar a escolaridade para ampliar a qualificação desse público”, destacou.

A demanda das empresas é maior que o número de pessoas com perfil mínimo exigido para empregabilidade. “Faltam profissionais para preencher as vagas reservadas pela lei a esse público”, ressaltou Loni. Segundo dados do último censo do IBGE, existem no país cerca de 24,5 milhões de pessoas ou 14,5% da população com algum tipo de deficiência. Destes 60% são analfabetos.

Durante o debate, sobre a Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, Loni lembrou que os concursos públicos exigem qualificação adequada e a indústria não pode ficar com as pessoas analfabetas apenas para cumprir cotas. “Temos que pensar nesses analfabetos e não jogar essa responsabilidade para as empresas. Precisamos pensar em alternativas para inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho além da educação básica, com formação profissional para cumprimento das cotas”, afirmou Loni.

Loni apresentou projeto desenvolvido pelo Psai em parceria com a o Ministério do Trabalho e Emprego e Superintendências Regionais. A iniciativa está presente em 15 estados, incentivando a aprendizagem de pessoas com deficiência e regularizar as empresas que precisam cumprir cotas. “Nós sentamos com empresários, que indicam a quantidade de pessoas que precisam para atender o sistema de cotas. Formamos turmas, com ajuda de ONGs, que indicam as pessoas para cursos de aprendizagem, que, depois de qualificadas, são incluídas nas empresas como jovens aprendizes cotistas”, explicou.

Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), os Termos de Ajuste de Condutas estão facilitando a fiscalização e o cumprimento da legislação. “O país está em pleno emprego, precisamos facilitar a acessibilidade no ambiente de trabalho para essas pessoas”, completou. Lindbergh lembrou que muitos deficientes ficam com receio de entrar no mercado de trabalho com medo de perder a aposentadoria, que é o Beneficio de Prestação Continuada.

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