terça-feira, 5 de abril de 2011

Suinocultura, lixo e energia: Tecnologia alemã pode ajudar a viabilizar negócios com biogás

Comitiva do Estado de Mecklenburg-Vorpommern está em Santa Catarina em busca de parcerias. Os alemães querem transferir tecnologia para viabilizar comercialmente a geração de gás metano e energia elétrica a partir de resíduos da suinocultura. O grupo, que ontem (4/4) esteve no Sistema Fiesc, também tem interesse em transferir conhecimento na gestão de resíduos urbanos, conforme o conselheiro do estado, Volker Böhning.

A expectativa é viabilizar um projeto-piloto, orçado em 150 mil euros, na cidade de Pomerode, para
Alcantaro Corrêa e Volker Böhning – Foto Elmar Meurer
Alcantaro Corrêa e Volker Böhning – Foto Elmar Meurer
 produzir biogás com dejetos suínos e assim demonstrar o potencial da tecnologia. Conforme o vice-presidente do Centro Empresarial e Científico Brasil-Alemanha, Hans-Dieter Beuthan, o projeto técnico está pronto e o próximo passo é encontrar um parceiro brasileiro para tirá-lo do papel.

Essa é a questão imediata a ser resolvida para iniciar a cooperação, disse o presidente do Sistema, Alcantaro Corrêa. "Ao demonstrar o potencial da tecnologia, a planta-piloto permitirá avançar para projetos maiores e a SCGás poderá se beneficiar. Mas primeiro temos que viabilizar esse investimento inicial."

Santa Catarina possui potencial para produzir diariamente 3 milhões de metros cúbicos de biogás a partir de dejetos da suinocultura, informou o diretor-técnico comercial da SCGás, Walter Piazza Júnior. A empresa tem interesse em adquirir esse gás natural, segundo o diretor, mas que a questão central é a viabilidade econômica dos projetos.

"Temos mais de dois mil biodigestores no estado, mas é necessário que eles gerem o gás de forma contínua, para que se viabilizem economicamente. Na Alemanha, essa viabilidade já existe e ela precisa chegar ao Brasil, tanto do ponto de vista dos custos quanto das receitas geradas em termos de gás, energia elétrica, biofertilizantes ou créditos de carbono", disse. "O maior desafio é o manejo das granjas, que hoje ainda não é voltado para aproveitar os dejetos", acrescenta, destacando ainda a importância do envolvimento das cooperativas e agroindústrias nesse sentido.

Nesta terça (5/4), os alemães terão reunião em Blumenau para discutir a destinação de lixo urbano no Vale do Itajaí. Böhning explicou que a experiência de seu estado, que há 20 anos enfrentou a necessidade de fechar depósitos de lixo por força de lei, pode ser aplicada em Santa Catarina. Em Mecklenburg-Vorpommern, cinco regiões, com cerca de 500 mil habitantes, desenvolveram solução conjunta para a disposição final dos resíduos, criando, inclusive, com a instalação de usina a gás que gera 1,2 MW de energia.

"Não é necessário reinventar a roda. Temos tecnologia para destinação, para minimizar a produção e para produzir energia e insumos a partir do lixo, em vez de apenas queimá-lo", disse. Também participaram da reunião na sede da Fiesc, em Florianópolis, representantes da Celesc, Epagri, Fatma e Secretaria de Desenvolvimento Sustentável.
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