terça-feira, 19 de abril de 2011

Nova engenharia: Plano Nacional vai atenuar escassez de engenheiros

Propostas para redução da evasão e para o preenchimento das vagas ociosas dos cursos de engenharia de instituições públicas e privadas farão parte do Plano Nacional de Engenharia, que estará concluído até o final do mês e será entregue ao governo.

O Plano está sendo elaborado pelo Comitê de Engenharia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que tem a participação do Sistema Indústria e do programa Inova Engenharia. O programa foi criado pela CNI em 2006 para aproximar os currículos dos cursos de engenharia das necessidades do mercado de trabalho.

O economista Marcos Formiga (foto), assessor da diretoria do Sistema Indústria, informa que a evasão nos cursos de engenharia é superior a 50%. A maior parte das desistências ocorre nos dois primeiros anos da graduação. Uma das possíveis causas do problema, segundo ele, é a distância entre os currículos dos cursos e a solução de problemas concretos imposta pela realidade do mercado.

Formiga ressaltou a importância do Plano e da articulação entre diferentes segmentos da sociedade para ampliar a quantidade de engenheiros no país. “É cada dia mais importante valorizar essa profissão, necessária para se fazer inovação e aumentar a competitividade da indústria brasileira”.

Gerônimo Sodré

Se a economia brasileira crescer mais de 4,5% ao ano, a oferta de engenheiros no mercado de trabalho não será suficiente para atender à demanda da indústria, da agroindústria, do comércio e das áreas de tecnologia em geral em 2020. A conclusão é do estudo Potenciais Gargalos e Prováveis Caminhos de Ajustes da Engenharia no Brasil, realizado pelo Ipea.

“Se o Brasil quer crescer mais de 4,5% em média até 2020, teremos de ajustar essa capacidade de oferta. Mas não basta formar mais engenheiros. Será necessário melhorar a qualidade desses profissionais”, enfatizou o técnico do Ipea Divonzir Gusso.

De acordo com o Instituto, se a economia crescer 6% anualmente, a quantidade de engenheiros necessários para a área de petróleo e gás subirá 19,3% até 2020. Mas o número de profissionais não será suficiente para atender a essa demanda. Nesse mesmo cenário, a indústria extrativa mineral precisará de 10,3% a mais de engenheiros e a procura na indústria de transformação crescerá 8,4%. A pesquisa foi discutida na terça (12/4), no Ipea, por técnicos do programa Inova Engenharia.

Formiga revela que o Brasil forma menos engenheiros por ano do que a Rússia, a Índia e a China, integrantes do chamado grupo dos BRICs, os países emergentes. “O engenheiro foi um dos agentes propulsores do crescimento acelerado da China e da Índia. Para o Brasil ter um projeto de nação, sairmos da 7ª maior economia do mundo para a 5ª, esse profissional é indispensável.”

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