sexta-feira, 1 de abril de 2011

Inovação de resultados: Novo produto facilita comunicação com deficientes

Chamada Communis, a novidade usa cartões impressos com fotos, ilustrações e legendas para facilitar a interação com pessoas com paralisia cerebral, deficiência intelectual, surdez, autismo e Síndrome de Down, ou com outras impossibilidades de se comunicar pela fala.

Viabilizado pelo Edital Senai Sesi de Inovação 2009, o Communis pode ser usado na comunicação dessas pessoas. “A comunicação no trabalho é um desafio para as pessoas com deficiência auditiva”, diz Vera Lucia Moraes, da área de educação continuada do Sesi CIC, de Curitiba, que coordenou o projeto Communis.

O kit básico está disponível e pode ser adquirido pelo www.kaygangue.com.br/communis. Os cartões que compõem o produto são divididos nas categorias expressões sociais, pessoas, adjetivos, verbos, substantivos, expressões industriais e diversos.

A ideia surgiu graças à mulher de um professor do curso de aprendizagem em Editoração Gráfica do Senai, que trabalhava na instituição assistencial Pequeno Cotolengo, em Curitiba. “Pessoas com deficiências de fala não conseguem fazer Libras, então pensamos em um sistema de comunicação baseado em imagens que representassem ações, sentimentos, objetos, expressões etc.”, diz Juliane Gonçalves Carneiro, ex-aluna do curso de Editoração Gráfica e uma das responsáveis pelo projeto.


Juliane: como pessoas com deficiência de fala não conseguem
fazer Libras  pensamos um sistema de comunicação em imagens
 Foto Rogério Theodorovy

“Além da inclusão social, a tecnologia social pode auxiliar empresas no cumprimento de normas e regulamentos estipulados por lei, além de promover a responsabilidade social por intermédio do exercício da cidadania com a inclusão e desenvolvimento de competências”, destaca Vera Moraes.

De acordo com o dono da Kaygangue, Orlei Roncaglio, o produto – em processo de patenteamento no INPI – recebeu investimento para pesquisa e desenvolvimento e confecção dos primeiros mil kits. “Acredito que é grande o mercado para esse produto e espero que em 18 meses recuperemos o investimento feito."

Iniciativa do Senai e do Sesi Nacional, o Edital Inovação apoia – com uma rede de laboratórios, equipes especializadas, estagiário e financiamento – projetos inovadores propostos por empresas de qualquer porte. No caso do projeto Communis, a unidade envolvida é a do Sesi/Senai da Cidade Industrial de Curitiba.

O Senai foi o responsável pelo conhecimento técnico na área de engenharia, gestão e design gráfico. O Sesi entrou com a expertise na área de responsabilidade social e ações de inclusão da pessoa com deficiência, já levadas às indústrias por uma equipe multidisciplinar de técnicos e especialistas nas áreas de psicologia e pedagogia.


O Communis é brasileiro
A ideia do Communis surgiu em 2006, na escola do Senai na Cidade Industrial de Curitiba. O docente de editoração gráfica Juliano Henrique Bodão convidou 30 alunos de Educação profissional para desenvolver um sistema de comunicação para pessoas com deficiências a partir de uma necessidade apontada por sua esposa, que trabalhava em uma instituição de assistência a jovens com necessidades especiais, o Pequeno Cotolengo.

“Existia no mercado um produto estrangeiro, não adaptado à cultura brasileira. Desenvolvemos algo mais simples e fizemos uma busca de ilustrações e fotos em bancos de imagens gratuitos, além dos próprios alunos terem feito desenhos para o produto”, conta Bodão, que hoje é técnico de ensino na unidade do Senai. “Fizemos testes de reconhecimento das ilustrações no Pequeno Cotolengo e em uma indústria de alimentos de Curitiba, para verificar a aplicabilidade da ferramenta no ambiente de trabalho.”

O secretário municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Irajá de Brito Vaz, enaltece o trabalho do Sesi e do Senai. “Iniciativas como esta, que colocam o deficiente no mercado de trabalho ou oportunizam sua inclusão, são muito importantes e devem servir de exemplo”.
“Esse projeto demonstra que o sistema indústria atingiu um nível de maturidade excepcional, com contribuição concreta para o desenvolvimento sustentável”, acrescenta o diretor superintendente do Sesi-PR, José Antonio Fares. Segundo o diretor de Operações do Senai, Marco Antônio Secco, "este produto inovador representa a convergência de vários atores pelo bem comum”, disse.

Na avaliação do consultor de inclusão laboral e escolar de pessoas com deficiência, Romeu Sassaki, o Communis segue padrões internacionais e é um dos poucos sistemas de comunicação que teve crivo cientifico em seu desenvolvimento. “Existem no Brasil mais de 30 mil produtos de tecnologia assistiva. O Communis é mais uma forma concreta de dizer para as pessoas com deficiência que elas terão mais um caminho para a inclusão”, disse Sassaki, destacando que o produto tem tudo para ser aceito no mercado.

Para Sassaki, o Brasil ainda precisa evoluir no conceito e forma de tratar a inclusão. “Ainda existem algumas barreiras que precisam ser superadas. A arquitetônica já foi superada, com a adaptação de ambientes. A questão agora é universalizar os ambientes, tornando-os acessíveis a todas as pessoas, com ou sem deficiência”.
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