sexta-feira, 1 de abril de 2011

Inclusão profissional: Mulheres quebram paradigmas no mercado de trabalho

Antes dominados pelos homens, os cursos profissionalizantes do Senai do Pará registram presença feminina recorde e confirmam a quebra de paradigmas na indústria. Conjuntos mecânicos, eixos, pinos e polias não são novidades para, Elaine Silva, de 20 anos. Ela é aprendiz na indústria Companhia Paraense de Refrigerantes (Compar), em Belém, e é uma das alunas do curso de aprendizagem em mecânica usinagem.


A jovem está se qualificando para operar torno mecânico e frezadoras e realizar serviços de manutenção das máquinas da produção de refrigerantes. A preparação de Elaine para desempenhar uma atividade pesada em um ambiente dominado por homens, não é comum. Ou melhor, não era. A jovem faz parte de uma estatística que mostra que aos pouco as mulheres vão ocupando um espaço antes só explorado por homens. No seu trabalho na Compar, cerca de 8% dos funcionários são mulheres que, como ela, querem provar que são capazes e que podem apresentar várias vantagens em relação aos homens.

A inserção das mulheres em atividades industriais antes realizadas exclusivamente pelos homens teve um aumento de mais de 48% nos últimos 5 anos, segundo levantamento feito recentemente pelo Senai no Pará. Hoje ninguém mais estranha ver uma mulher num canteiro de obras, usando botas e capacete, dividindo tarefas com uma trupe de homens. O apetite feminino por esse segmento fica evidente diante do interesse delas por cursos profissionalizantes. Cerca de 20 mil mulheres já passaram pelas salas de aula do Senai-PA, segundo o levantamento. Entre os cursos que apresentaram aumento da presença feminina está o de Mineração. Em 2006, haviam apenas 88 mulheres inscritas. Em 2010 esse número saltou para mais de 1.060.


Gráfico 1: Número de mulheres matriculadas nos cursos profissionalizantes do Senai teve aumento de 48% nos últimos cinco anos
Gráfico 1: Número de mulheres matriculadas nos cursos profissionalizantes do Senai teve aumento de 48% nos últimos cinco anos

Juliane Brito, de 19 anos, há um ano conquistou um posto até então inimaginável para uma mulher. Em 2010, quando se formava no curso de Mecânica do Senai, foi chamada para ser auxiliar de tapeçaria e fazer parte da equipe de mecânicos da oficina da Invencível Veículos, em Belém. No começo enfrentou olhares de clientes desconfiados. “Muitos não falavam, mas ficavam se perguntando: o que essa mulher vai fazer com o meu carro?”, explica ela, rindo.

Ela conseguiu vencer os preconceitos de muitos clientes e conquistou a credibilidade que lhe garantiu a promoção para auxiliar de mecânica. Hoje, sempre que novos modelos de veículos da Fiat são lançados, Juliane  participa do treinamento que o Senai, em parceria com a multinacional, realiza antes que o novo modelo entre no mercado.

Independente da ocupação, dados do Senai mostram que as mulheres paraenses estão em busca cada vez mais de qualificação. Em 2006, apenas 1,5% dos alunos dos cursos de educação profissional na área de metalmecânica eram mulheres. Cinco anos depois, elas representaram 14% dos estudantes.

Gráfico 2: Cursos do Senai mais demandados pelas mulheres nos últimos cinco anos
Gráfico 2: Cursos do Senai mais demandados pelas mulheres nos últimos cinco anos

Para o diretor regional do Senai-PA, Gerson Peres, não há diferença no resultado final de trabalhos realizados por homens e mulheres. “Existem particularidades na execução das atividades, mas o resultado é o mesmo: as mulheres são mais cuidadosas e prezam pela segurança, os homens são mais audaciosos” afirma. Se depender do Programa Senai de Ações Inclusivas (Psai), assegura Peres, o aumento da participação de mulheres em atividades antes dominadas pelos homens é garantido.

"A meta do programa é fazer com que 40% dos alunos em cursos de qualificação profissional sejam mulheres até o final de 2011. Além disso, com o avanço da tecnologia, não existe mais preconceito de que a mecânica é trabalho somente de homem, por exigir força física. O trabalho agora é mais intelectual, o que permite a inserção da mulher nas mesmas condições dos homens”, destaca o diretor.

Muitas mulheres estão fazendo da capacitação ferramenta para conseguir espaço e respeito em um mundo cada vez mais competitivo, em que as idéias conservadoras ainda existem e certas áreas eram estigmatizadas como masculinas. Que o diga Giselle Oliveira, de 23 anos, estagiária do Projeto Mina do Sossego, em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará.

Giselle Oliveira: as mulheres ganham espaço pela competência e profissionalismo - Foto Senai-PA
Giselle Oliveira: as mulheres ganham espaço pela competência e profissionalismo - Foto Senai-PA

Ela chegou na empresa há seis meses, após ingressar no curso de habilitação técnica de Mineração do Senai. Foi uma das primeiras mulheres a trabalhar na mina, local onde é feita a exploração mineral de cobre. “Eu vejo como um grande desafio, pessoal e profissional, trabalhar no setor mineral”, diz Giselle, que realiza o planejamento de curto prazo com a programação diária da operação da mina. “Minha motivação é saber que estou fazendo parte desse novo tempo, no qual as mulheres estão ganhando espaço não pela força nem por imposição, mas, sim, pela competência e profissionalismo."
Fonte: Senai do Pará

2 comentários:

  1. Pessoal, ótima a iniciativa de colocar os textos em um blog. O formato anterior do site realmente estava meio passado. Abraço!

    Diogo - SENAI/SC

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  2. Diogo, obrigado pelo apoio. Por enquanto estaremos nos dois canais. Abraços,

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