quarta-feira, 3 de junho de 2015

Claudio Naranjo: “A Educação atual só produz zumbis”

O psiquiatra chileno diz que investir numa didática afetiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos e formar seres autônomos e saudáveis


A DIDÁTICA DO AFETO
O psiquiatra Claudio Naranjo.
A Educação é a única forma de
mudar o mundo (Foto Divulgação)
Por Flavia Yuri Oshima/Revista Época

O psiquiatra chileno Claudio Naranjo tem um currículo invejável. Formou-se em medicina na Universidade do Chile, especializou-se em psiquiatria em Harvard e virou pesquisador e professor da Universidade de Berkeley, ambas nos EUA. Desenvolveu teorias importantes sobre tipos de personalidade e comportamentos sociais. 

Trabalhou ao lado de renomados pesquisadores, como os americanos David McClelland e Frank Barron. Publicou 19 títulos. Sua trajetória pode ser classificada como irrepreensível pelo mais ortodoxo dos avaliadores. Ele é, inclusive, um dos indicados ao Nobel da Paz deste ano. É comum, no entanto, que Naranjo seja chamado, em tom pejorativo, de esotérico e bicho grilo. Há mais de três décadas, ele e a fundação que leva seu nome pregam que os educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores. Ele defende que essa é a forma mais eficaz de ajudar todos os alunos – não só os melhores – a efetivamente aprender “e assim mudar o mundo”, como ele diz. Claudio Naranjo esteve no Brasil para participar do evento sobre educação básica Encontro de Educadores.

ÉPOCA – O senhor é psiquiatra e desenvolveu teorias importantes em estudos de personalidade. Hoje trabalha exclusivamente com Educação. Por que resolveu se dedicar a esse tema?
Claudio Naranjo – Meu interesse se voltou para a Educação porque me interesso pelo estado do mundo. Se queremos mudar o mundo, temos de investir em Educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela Educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens.

ÉPOCA – Quais os problemas do modelo educacional atual na opinião do senhor?
Naranjo – Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra Educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome Educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.

ÉPOCA – Como é possível mudar esse modelo?
Naranjo – Podemos conceber uma Educação para a consciência, para o desenvolvimento da mente. Na fundação, criamos um método para a formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisas. O objetivo é preparar os professores para que eles se aproximem dos alunos de forma mais afetiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando suas características pessoais. Comprovamos por meio de pesquisas que esse é o caminho para formar pessoas mais benévolas, solidárias e compassivas. Hoje a Educação é despótica e repressiva. É como se Educar fosse dizer faça isso e faça aquilo. O treinamento que criamos está entre os programas reconhecidos pelo Fórum Mundial da Educação, do qual faço parte. Já estive com ministros da Educação de dezenas de países para divulgar a importância dessa abordagem.

ÉPOCA – E qual foi a recepção?
Naranjo – A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da Educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na Educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos  uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação me recebem muito bem. Eles concordam com meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades. Estou mais esperançoso com o novo ministro da Educação de vocês (Renato Janine Ribeiro). Ele me convidou para jantar, para falarmos sobre minhas ideias. É a primeira vez que a iniciativa parte do lado do governo. Ele é um filósofo, pode fazer alguma diferença.

>> "Quando há amor na forma de ensinar, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo"

ÉPOCA – Para quem decidiu ser professor, não seria natural sentir amor, compaixão e vontade de cuidar do aluno?
Naranjo – Uma vez dei uma aula a um grupo de estudantes de pedagogia na Universidade de Brasília. Fiquei muito decepcionado com a falta de interesse. Vendo minha expressão, o coordenador me disse: “Compreenda que eles não escolheram ser Educadores. Alguns prefeririam ser motorista de táxi, mas decidiram educar porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque não tiveram condições de se preparar para ser advogados ou engenheiros ou outra profissão que almejassem”. Isso acontece muito em locais em que a Educação não é realmente valorizada. Quem chega à escola de Educação são os que têm menos talento e menos competência. Não se pode esperar que tenham a vocação pedagógica, de transmitir valores, cuidar e acolher.

ÉPOCA – O senhor diz que o sistema de Educação atual desperdiça talentos, rotulando-os com transtornos e distúrbios. Pode explicar melhor esse ponto?
Naranjo – Humberto Maturana, cientista chileno, me contou que a membrana celular não deixa entrar aquilo que ela não precisa. A célula tem um modelo em seus genes e sabe o que necessita para construir-se. Um eletrólito que não lhe servirá não será absorvido. Podemos usar essa metáfora para a Educação. As perturbações da Educação são uma resposta sã a uma Educação insana. As crianças são tachadas como doentes com distúrbios de atenção e de aprendizado, mas em muitos casos trata-se de uma negação sã da mente da criança de não querer aprender o irrelevante. Nossos estudantes não querem que lhe metam coisas na cabeça. O papel do educador é levá-lo a descobrir, refletir, debater e constatar. Para isso, é essencial estimular o autoconhecimento, respeitando as características de cada um. Tudo é mais efetivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela.

ÉPOCA – Por que a Educação caminhou para esse modelo?
Naranjo – Isso surgiu no começo da era industrial, como parte da necessidade de formar uma força de trabalho obediente. Foi uma traição ao ideal do pai do capitalismo, Adam Smith, que escreveu A riqueza das nações. Ele era professor de filosofia moral e se interessava muito pelo ser humano. Previu que o sistema criaria uma classe de pessoas dedicadas todos os dias a fazer só um movimento de trabalho, a classe de trabalhadores. Previu que essa repetição produziria a deterioração de suas mentes e advertiu que seria vital dar a eles uma Educação que lhes permitisse se desenvolver, como uma forma de evitar a maquinização completa dessas pessoas. Sua mensagem foi ignorada. Desde então, a Educação funciona como um grande sistema de seleção empresarial. É usada para que o estudante passe em exames, consiga boas notas, títulos e bons empregos. É uma distorção do papel essencial que a Educação deveria ter.

>> O professor é o fator que mais influencia na Educação das crianças

ÉPOCA – Há algo que os pais possam fazer?
Naranjo – Muitos pais só querem que seus filhos sigam bem na escola e ganhem dinheiro. Acho que os pais podem começar a refletir sobre o fato de que a Educação não pode se ocupar só do intelecto, mas deve formar pessoas mais solidárias, sensíveis ao outro, com o lado materno da natureza menos eclipsado pelo aspecto paterno violento e exigente. A Unesco define Educar como ensinar a criança a ser. As Constituições dos países, em geral, asseguram a liberdade de expressão aos adultos, mas não falam das crianças. São elas que mais necessitam dessa liberdade para se desenvolver como pessoas sãs, capazes de saber o que sentem e de se expressar. Se os pais se derem conta disso, teremos uma grande ajuda. Eles têm muito poder de mudança.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Tecnologia na escola: 30 dicas para ensinar com ajuda das redes sociais

Porvir reuniu sugestões para professores incentivarem o aprendizado dos seus alunos em diferentes plataformas


Curtir, compartilhar, seguir, tuitar e comentar. Cada vez mais, as redes socais fazem parte da rotina de adolescentes e jovens. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online, 79% dos brasileiros com idades entre 9 e 17 anos, que utilizam a internet, já possuem perfil em alguma das redes. E por que não aproveitar o interesse dos alunos e utilizar essas ferramentas como estratégia para promover o aprendizado?

Para ajudar os professores, o Porvir reuniu dicas de como utilizar as redes sociais como um recurso educativo. As sugestões foram retiradas a partir de referências encontradas em diferentes publicações, guias e sites especializados em Educação e tecnologia. As dicas apresentam estratégias para o uso do Facebook, Twitter, Google+, Instagram, YouTube e o Edmodo.

 
(SSilver/Fotolia.com)

Confira as dicas:

Facebook
1. Crie grupos com sua turma para postar informações, avisos e dicas.
2. Compartilhe conteúdo multimídia relacionado aos temas trabalhados em sala de aula.
3. Use a rede social como canal de jornalismo estudantil. Crie uma página para que seus alunos postem novidades sobre projetos e eventos da escola.
4. Faça o seu próprio quiz para que os alunos possam interagir com os conteúdos das aulas. O Facebook tem algumas ferramentas que facilitam essa tarefa, como o aplicativo Quiz Maker.
5. Estimule os alunos a postarem resenhas de livros e resumos de estudos no grupo da classe. Isso pode ajudar no desenvolvimento de projetos de revisão por pares.

Twitter
6. Use o Twitter como ferramenta para criar histórias coletivas com os alunos. Escreva o começo de uma narrativa e fale para eles tuitarem a continuação.
7. Publique desafios diários para os alunos. Professores de disciplinas como matemática, química e física também podem incentivar alunos a resolver problemas e a compartilhar o resultado na rede social.
8. Faça tuítes diários com informações sobre diferentes carreiras. Isso pode ajudar seus alunos a conhecer diferentes profissões e conseguir identificar seus interesses.
9. Crie uma hashtag original (ex: #auladoprofze) e incentive os alunos tuitarem suas anotações durante a aula.
10. Apresente estratégias de pesquisa para que os alunos possam encontrar conteúdos relevantes com o uso de hashtags.
Fontes: Edudemic e TeachHUB

Google+
11. Crie comunidades para compartilhar conteúdos com os seus alunos.
12. Faça conferências com a sua turma utilizando o Hangout. A ferramenta permite realizar transmissões ao vivo para um número ilimitado de pessoas e também gravá-las para assistir mais tarde.
13. Convide diferentes profissionais, como autores e pesquisadores, para participar de videoconferências com os seus alunos.
14. Compartilhe arquivos e atualizações, integrando outras ferramentas como Google Drive ou Agenda.
15. Separe os seus alunos em círculos de usuários (opção disponível na rede social) de acordo com a turma e os interesses de cada um.

Instagram
16. Poste uma foto como prévia para o assunto da próxima aula. É possível interagir com os alunos, pedindo para que eles façam uma pesquisa ou comentem o que já sabem sobre o tema.
17. Crie uma conta para a sua sala e registre momentos como apresentações, desenvolvimento de projetos e excursões. Para manter a privacidade, deixe o conteúdo fechado para acesso restrito aos alunos.
18. Destaque habilidades dos estudantes. Tire fotos de bons trabalhos e projetos realizados por eles.
19. Ensine conceitos básicos de fotografia para os seus alunos, trabalhando iluminação, enquadramento, composição e linguagem. Incentive que eles registrem imagens do cotidiano escolar.
20. Deixe os alunos explorarem seus interesses e diferentes identidades, compartilhando opiniões e comentários por meio de imagens.

YouTube
21. Engaje os alunos com dicas de vídeos que são relevantes para eles e fomente a discussão de diferentes pontos de vista.
22. Escolha vídeos curtos para apresentar em sala de aula. Isso garante que os alunos tenham um tempo para discutir com base no que foi mostrado.
23. Faça uma conta Google para a escola e utilize o YouTubeEDU com os alunos. Esse ambiente possui conteúdos com foco educativo e permite que os professores e administradores da escola selecionem os vídeos que aparecem como visíveis para o seus alunos.
24. Inverta a sua sala de aula. Mande vídeos para que os alunos assistam os conceitos básicos em casa. Aproveite o tempo em classe para promover a aplicação desses conceitos e incentivar trabalhos colaborativos.
25. Crie listas de reprodução que contemplem temas relacionados às aulas, contextualização para assuntos do mundo real e visões divergentes para fortalecer o posicionamento e o senso crítico.
Fontes: Edudemic e Edutopia

Edmodo
26. Faça postagens para incentivar que os alunos participem de diferentes discussões e compartilhem sua opinião sobre determinados temas.
27. Utilize o construtor de questionários para avaliar o aprendizado dos alunos durante o desenvolvimento das atividades.
28. Organize clubes de leitura para os alunos compartilharem os livros que estão lendo. Eles também podem postar indicações para os colegas.
29. Conecte seus alunos com salas de aula de outros países para que eles possam trocar experiências e conhecer outras culturas.
30. Crie um grupo com atualização sobre eventos que irão acontecer na escola.


terça-feira, 24 de março de 2015

Nova Escola: Finlândia será o primeiro país do mundo a abolir a divisão do conteúdo escolar em matérias

Por Renato Carvalho, para a Rescola, aprendendo a ensinar


A campainha toca, mas, em vez da aula de História, começa a aula de “Primeira Guerra Mundial”, planejada em conjunto pelos professores especialistas em História, Geografia, Línguas Estrangeiras e (por que não?) pelo professor de Física que achou que seria uma boa oportunidade para trabalhar os conceitos de Balística.



À tarde, outro sinal, mas os alunos não vão ter aula de Biologia. Hoje a aula é sobre “Ecossistema Polar Ártico”, ministrada pelos professores especializados em Biologia, Química, Geografia e o de Matemática, que percebeu que os dados sobre o derretimento das geleiras seriam úteis para o estudo de Estatística.

Em pouco tempo, cenários como esse, que já são comuns nas principais escolas da capital Helsinki, poderão ser encontrados em toda a rede de ensino do município e nas cidades do interior. O objetivo é claro: a Finlândia quer ser o primeiro país do mundo a abolir completamente a tradicional divisão do conteúdo escolar em “Matérias” e adotar em todas as suas escolas o ensino por “Tópicos” multidisciplinares (ou “Fenômenos”, conforme a terminologia adotada pelos educadores finlandeses).

Há anos, a Educação finlandesa vem sendo considerada a melhor do mundo. Com “segredos” como valorização dos professores, atenção especial aos alunos com mais dificuldades, valorização das artes e de diferentes formas de aprendizagem e uma radical redução no número de provas e testes, o país tem consistentemente dividido as mais altas posições nos rankings do Pisa (Programme for International Student Assessment, ou Programa para Avaliação Internacional de Estudantes) com Cingapura, mas com as vantagens de oferecer uma Educação universalmente gratuita e livre dos tremendos níveis de estresse aos quais os estudantes asiáticos são submetidos.

Apesar dos excelentes resultados (ou talvez por causa deles), a Finlândia pretende continuar repensando e aprimorando seu sistema educacional. “Não é apenas Helsinki, mas toda a Finlândia que irá abraçar a mudança”, afirma Marjo Kyllonen, gerente educacional de Helsinki. “Nós realmente precisamos repensar a Educação e reprojetar nosso sistema, para que ele prepare nossas crianças para o futuro com as competências que são necessárias para o hoje e o amanhã. Nós ainda temos escolas ensinando à moda antiga, que foi proveitosa no início dos anos 1900 – mas as necessidades não são mais as mesmas e nós precisamos de algo adequado ao Século 21.”

Naturalmente, a ideia de substituir “Matérias” por “Fenômenos” como forma de dividir o conteúdo escolar e apresentá-lo aos alunos sofreu resistência inicial, principalmente dos professores e diretores que passaram suas vidas se especializando e se preparando para ensinar matérias. Mas com suporte do governo – inclusive incentivos financeiros através de bonificações para os professores que aderissem ao método – os professores foram gradualmente se envolvendo e hoje aproximadamente 70% dos professores das escolas de ensino médio da capital já estão treinados e adotando essa nova abordagem.

Atualmente, as escolas finlandesas já são obrigadas a oferecer ao menos um período de ensino multidisciplinar baseado em Fenômenos por ano. Na capital Helsinki, a reforma está sendo conduzida de forma mais acelerada, com as escolas sendo encorajadas a oferecer dois períodos. A previsão de Marjo Kyllonen é de que em 2020 a transição estará completa em todas as escolas do país.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Educação superior: MEC reconhece mais 63 cursos

O Ministério da Educação (MEC) reconheceu mais 63 cursos superiores, a serem ofertados em diversas unidades federativas do país. A lista completa dos cursos e das instituições de ensino superior está disponível em duas portarias publicadas aqui pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior no Diário Oficial da União.


De acordo com as portarias, o reconhecimento dos cursos vale até o próximo ciclo avaliativo. Na lista, constam cursos de bacharelado, licenciatura, tecnológicos e sequenciais em diversas áreas. Entre elas, engenharia, física, química, direito, nutrição, pedagogia, geografia, matemática, farmácia, biomedicina, música, relações internacionais, química, administração, cinema e audiovisual, educação física, logística, biotecnologia, serviço social, automação industrial, gastronomia, letras, biologia, serviço social.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Dica de livro: o céu e o inferno da Educação

Crítico dos testes, o chinês Yong Zhao explica por que o gigante asiático tem o melhor e o pior sistema do mundo

Por Tory Oliveira, para a Carta na Escola

Chineses se debruçam para serem aprovados no Ensino Superior
(foto Ma Jian/Chinafotopress/Getty Images)
Inédito no Brasil, o livro Who’s Afraid of the Big Bad Dragon (Quem Tem Medo do Grande e Malvado Dragão) tem um subtítulo intrigante: “Por que a China tem o melhor e o pior sistema educacional do mundo”. Ao longo de 272 páginas, o autor Yong Zhao dedica-se a explicar esse paradoxo e a desconstruir a ideia de que o modelo chinês de Educação – centralizador, baseado na ênfase em testes padronizados, altamente competitivo e sempre no topo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – é um exemplo a ser seguido pelos demais países. 

“Os piores aspectos (do modelo chinês) estão na ênfase exagerada em avaliação, que torna todas as demais atividades de estudantes, professores, pais e escolas em uma preparação para os testes. Consequentemente, a experiência educacional dos alunos, dentro e fora da escola, está focada em poucos assuntos. O bem-estar social, emocional e físico fica em segundo plano”, critica Zhao, que conheceu o sistema educacional chinês como aluno e professor.
 
Nascido na província de Sichuan, Yong Zhao estudou em uma pequena escola rural durante a Revolução Cultural (1966-1976), quando o exame de admissão do Ensino Superior (Gaokao) foi abolido. O mesmo não aconteceu no curso equivalente ao nosso Ensino Médio, período em que sentiu na pele a enorme pressão para atingir uma boa nota e passar no exame, restaurado em 1977.

Após se formar em Língua Inglesa e lecionar por seis anos na China, Zhao aceitou uma oferta para trabalhar como professor-visitante no Linfield College e se mudou para os Estados Unidos, em 1992. Atualmente, o autor ocupa o cargo de professor na Universidade do Oregon e é presidente do Institute for Global and Online Education, na mesma instituição.

Por e-mail, Zhao conversou com Carta na Escola sobre o sistema educacional chinês, os perigos de uma Educação baseada em testes e a admiração nutrida por muitos países ocidentais pela educação tradicional chinesa.

Carta na Escola: Por que a China tem, ao mesmo tempo, o melhor e o pior sistema educacional do mundo? Como isso é possível?
Yong Zhao: Porque existem diferentes definições e objetivos na Educação. Se você acredita que Educação significa ter todos os seus estudantes dominando o mesmo conteúdo prescrito e demonstrando esse domínio por meio de testes focalizados, a China já demonstrou ser a melhor, ao menos de acordo com o Pisa. Mas, se você pensa que Educação significa ajudar a melhorar e desenvolver habilidades individuais, produzir a diversidade, cultivar a criatividade e prover uma experiência balanceada para o desenvolvimento da criança como um todo, talvez a China seja a pior. Aliás, não se trata do único país a ter um sistema educacional com essas características. Na verdade, todo sistema educacional que coloca muita ênfase em testes e que impõe aos seus estudantes um conjunto limitado de habilidades e conhecimentos pode ter essas consequências.

CE: Quais são os piores aspectos da educação chinesa, em sua opinião?
YZ: Na prática, os piores aspectos estão na ênfase exagerada nos testes, que torna todas as demais atividades de estudantes, professores, pais e escolas em uma preparação para os testes. Consequentemente, a experiência educacional dos alunos, dentro e fora da escola, está focada em poucos assuntos. O bem-estar social, emocional e físico ficam em segundo plano. Mas a ênfase exagerada nos testes é resultado das chamadas high-stake tests, nas quais o sucesso na vida de uma pessoa (e tem sido assim há muito tempo) é definido pela sua capacidade de chegar ao Ensino Superior, única forma de conseguir os melhores empregos. 

CE: No último Pisa, Xangai (e a China) ocupou o primeiro lugar do ranking. No entanto, o senhor aponta o fato de que, desde 1949, o país não ganhou nenhum Prêmio Nobel. Esse modelo de Educação está prejudicando a criatividade e outras capacidades dos estudantes?
YZ: Ao menos em parte, sim. Há muitos fatores envolvidos, é claro, mas um sistema educacional que premia os estudantes pelo bom desempenho em testes padronizados certamente prejudica aspectos presentes em indivíduos mais criativos.

CE: Um dos aspectos mais conhecidos da população chinesa no Ocidente é a valorização da Educação como chave para o sucesso. O senhor afirma, porém, que essa valorização é uma “estratégia de sobrevivência”. Poderia explicar melhor?
YZ: A Educação, ou melhor, passar em testes, tem sido o único caminho para a mobilidade social na China – e os testes são controlados pelas autoridades. As pessoas precisam valorizar essa “Educação”. Como eu explico no livro, as pessoas não valorizam necessariamente a Educação, mas sim a preparação necessária para passar nos exames. Assim, o que observamos é a valorização da Educação essencialmente como uma estratégia de sobrevivência para lidar com um sistema feito para selecionar com base em resultados de testes. 



sábado, 13 de dezembro de 2014

Educação, jornalismo, publicidade: não se fracassa sozinho

Por *Cristiano de Sales no Observatório da Imprensa

Poderíamos chamar de infeliz o anúncio publicitário que ocupou a página 5 do jornal O Globo de domingo (7/12/2014), que procurava promover políticas educacionais da prefeitura do Rio de Janeiro. Mas não, infelizes somos nós que já passamos, há tempos, da categoria de leitores para a de consumidores e agora para a categoria de mercadorias, conforme ensinou Carlos Castilho, neste mesmo Observatório, quando escreveu sobre a publicidade nativa (ver Publicidade que parece notícia).

Além de já termos sido coisificados (e olha que nem sou marxista; aliás, precisa ser um para perceber isso?), agora testemunhamos de maneira explícita a concepção que administrações públicas como a do Rio de Janeiro têm sobre o que é educar um povo. Produção em série de pessoas supostamente habilitadas a desenvolver determinadas (e muito bem determinadas!) tarefas. 

Homogeneização das habilidades; nem sei se podemos falar neste caso em homogeneização do pensamento, pois não dá para confiar que um órgão que promova sua contribuição à Educação com anúncios como o acima destacado esteja estimulando algum pensamento em seus produtos, digo, crianças.

O espantoso desse anúncio não é a revelação do óbvio, pois sabemos que temos alguma herança da ditadura militar (e até de antes) no nosso processo educacional, o que justifica a não prioridade ao estímulo do senso crítico e das heterogeneidades. O que de fato chama a atenção é a maneira explícita e sem pudor com que administração pública e jornalismo/publicidade expõem essas concepções estanques de Educação sem levar em conta que o leitor possa se incomodar em ser tratado e ver seus filhos tratados como mercadorias. E se o fazem dessa maneira é porque estão certos de que não haverá reação. E se não há reação, provavelmente isso se deve ao fato desse projeto homogeneizador do pensamento já ter dado certo.

Na última década e meia, vimos no Brasil um aumento significativo de escolas de formação técnica e isso é de extrema importância num país que se estrutura especializando sua mão de obra e que tenta suprir demandas de empregos. A ampliação de aberturas de escolas técnicas não está em questionamento; aliás, deve continuar. Mas o que merece ser posto em questão é que o sistema educacional atende diferentes demandas e dá origem a algo muito maior do que especializar mão de obra. Um dado setor da Educação ser destinado a essa especialização é primordial. Porém, fazer da especialização a tônica da Educação em geral só depõe contra um país que tenta se fortalecer como nação.

Perfis cada vez mais empreendedores
Trocando em miúdos: escola técnica é uma coisa, ensino fundamental e médio é outra e ensino superior é uma terceira coisa. O ensino técnico se prestar a especializar mão de obra e gerar emprego. Está ok, e deve ser aplaudido. Porém, os ensinos fundamental e médio precisariam formar, antes de qualquer coisa, pessoas; e pessoas são diferentes, não podem ser coisificadas nem no pensamento nem no comportamento. A intolerância às diferenças que temos testemunhado nos últimos meses é fruto, entre outras coisas, dessa ideia equivocada de que as pessoas são iguais; e se não são, precisam se tornar.

Por seu turno, o ensino superior, para além da formação em alguma área específica, precisa estimular senso crítico, capacidade de escolhas em momentos imprevistos, desconstrução de preconceitos, habilidade em criação e transformação de coisas e situações (e isso também já estaria entre as funções do ensino fundamental e médio). Entretanto, que fique claro, estabelecer essas diferentes diretrizes não significa, em hipótese alguma, sugerir que no ensino técnico tudo isso também não esteja implicado. Não, essas coisas não são acionadas por botões. Mas o que se deve registrar é que cada campo de ação educacional se caracteriza por predominâncias de objetivos.

Num país que sofreu até ontem com o fantasma do desemprego (não se pode negar que os índices hoje são menos assustadores), fica fácil introjetar na mente da população que o que importa é especializar. Por isso, talvez o anúncio da prefeitura do Rio, que faz lembrar o clipe do Pink Floyd ou o filme do Charles Chaplin, não gere incômodo. Mas, se queremos efetivamente elaborar saídas pelo viés da Educação, temos que resistir a essas concepções que invadem todos os campos de ação da Educação.

As próprias diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação para alguns cursos de graduação, por exemplo, já são sintomas dessa invasão da mão de obra especializada em setores onde o senso crítico deveria estar sendo estimulado; vejam-se as diretrizes às quais o próprio curso de Jornalismo está sendo submetido, segundo última portaria do MEC. As ciências humanas perdem cada vez mais força dentro de cursos que formam jornalistas, publicitários e demais áreas, que ganham cada vez mais perfis empreendedores. Ou seja, a equação se fecha. Por isso, cada vez menos nos incomodaremos com anúncios que esfregam em nossas caras o projeto ao qual não reagimos.


*Cristiano de Sales é professor de Comunicação Social

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pronatec: três cursos a distância estão com matrículas abertas no Rio Grande do Sul

Ministrados pelo Senai-RS os três cursos de qualificação profissional são Eletricista de Automóveis, Desenhista de Produtos Gráficos WEB e Instalador Reparador de Redes de TV a Cabo.

Estão abertas 320 vagas distribuídas entre Porto Alegre, Caxias do Sul e Santana do Livramento. Os pré-requisitos para a inscrição, feita pelo www.senairs.org.br/programas/pronatec: ter 15 anos completos, 6º ano do ensino fundamental concluído, acesso à internet e disponibilidade para assistir a 20% das aulas presencialmente.

Gratuitos, os cursos têm até 220 horas de duração.

Fonte Sistema Fiergs


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Segurança e saúde no trabalho: Stanford University é parceira na instalação de instituto de inovação em Santa Catarina

Um grupo de especialistas do Sesi de Santa Catarina e de empresários inicia nesta segunda (6/10/2014), missão a Stanford University, em Palo Alto, na Califórnia, nos Estados Unidos, para definir o modelo de negócio do instituto de inovação que será instalado no estado.

Focado em tecnologias para segurança e saúde no trabalho, o Instituto Sesi de Inovação desenvolverá pesquisas e tecnologias para a promoção de comportamentos seguros e saudáveis, redução de acidentes e adoecimentos para elevar a produtividade da indústria brasileira.

A parceria com a Stanford University, firmada em julho, já deu início ao processo de planejamento e definição do instituto, além de dar suporte ao atendimento ao mercado e transferir conhecimentos para as pesquisas e soluções que serão desenvolvidas em âmbito estadual e nacional.

Ao longo da missão, serão realizados debates sobre o impacto das tecnologias em saúde e segurança no resultado das organizações, além de workshops, visitas a laboratórios e experimentação de criação de um instituto de pesquisa.

Institutos
O Sesi Nacional implantará sete institutos de inovação na área de qualidade de vida. Eles serão orientados para atender demandas industriais, focadas na redução do absenteísmo (falta ao trabalho) e dos acidentes dentro das indústrias brasileiras. Por isso, tratarão de questões relativas ao envelhecimento saudável, fatores psicossociais, promoção da saúde, ergonomia, redução e prevenção de acidentes, gestão do absenteísmo e desenvolvimento de tecnologias para o aumento da segurança e saúde do trabalhador.


Fonte Fiescnet